sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A melhor das hipóteses

Não dá mais para achar que temos todo tempo do mundo. A gente só tem o agora e o agora e o agora. Cada agora de cada segundo. Não quero dizer com isso que temos que viver queimando dinheiro, irresponsavelmente, atirando pela janela sonhos e planos, focando apenas no próprio umbigo e arriscando alto as conquistas que já se teve. Não é por aí. O que eu quero dizer é que a oportunidade que é apresentada nesse presente é única. Pode ser a última vez, pode ser a única chance, pode ser que nunca mais, pode mudar tudo depois disso.
 
Sim, é preciso se programar para vendavais, é preciso ser precavido e prudente, é preciso tomar decisões cruciais com cautela, mas não é por isso que a gente vai viver em uma redoma inquebrantável. Se algo muito bom se lança à sua frente, não cabe medo, não cabe covardia, não cabe titubear, não cabe. Arrisque! Se joga! Na pior das hipóteses, vai ter valido a tentativa. Na pior das hipóteses, vai ter história pra contar. Na pior das hipóteses, vai gerar gargalhadas. Imagine agora a melhor das hipóteses!
 
(Suspiro)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O melhor já começou

Durante muito tempo, quando tava perdida no escuro, ela acreditou que deveria ter algo de bom esperando em algum momento em algum lugar. Seguiu a vida sem vontade, com um nó na garganta e os olhos lacrimejando, mas sempre inspirando e expirando, cumprindo prazos e obrigações, tocando em frente sem convicção alguma. Em determinadas ocasiões ela via flashes de luz, e se movia em direção ao clarão, esperando pelo dia em que veria de novo a cor do sol. Subiu cada degrau, ultrapassou cada montanha, caminhou lentamente em alguns momentos e, em tantos outros, correu como em competição de 100m rasos e saiu do escuro de si. A vida agora tem cor e luz. A vida agora tem sentido e razões. A vida parece de novo interessante e parece valer a pena. É emocionante perceber o ciclo escuro se fechando atrás dela. É intenso perceber que o carrinho que tava estacionado no ponto mais alto do looping da montanha russa, enfim retorna aos trilhos e segue uma viagem tranquila, de paz, sem sobressaltos. É lindo ver que ela conseguiu dar conta de tudo no olho do furacão, priorizou o que era de fato prioridade, protegeu quem deveria ser protegido e sobreviveu. Agora, céu azul. Agora, sorriso no rosto. Porque o melhor já começou!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Deveria ser reflexivo

Todo meu tempo e todo meu zelo, toda minha atenção e todo meu carinho, todo meu ouvido e todos os meus conselhos, toda minha história e toda minha paciência, toda minha ânsia e toda minha urgência, todo meu querer e todo meu bem-querer, toda minha expectativa e todo meu sonhar, todo os meus verbos de ligação, todos os meus predicados, todos os meus argumentos, todos os meus anseios, todo o meu futuro, todo complemento, todo sentimento, toda angústia, tudo ofertado gratuitamente e sem vestígio de reciprocidade.

Ama o objeto direto do amor, mas quando não há reciprocidade, amar se torna um verbo intransitivo. Ama apenas, ama só, ama sozinha, ama e não é amada. Amar deveria, antes de tudo, ser um verbo reflexivo.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Desentalando

Ela passou por um momento super difícil na vida, daqueles que mudam tudo, transfiguram a forma como a gente encara as coisas. Perdeu o prumo, o rumo, o norte, a mão de pulso firme, o colo acolhedor, o ouvido preferido e os mais sábios conselhos. Perdeu muito num momento em que todo mundo tá começando a ganhar, num momento crucial na vida, num momento em que as pessoas começam a traçar o futuro. Numa sociedade solidária como a nossa, houve muito amparo naquele momento de dor. Gente cuidando, gente ajudando, gente marcando presença. Passado algum tempo, ficaram os que iriam ficar e alguns destes se comprometeram em ajudar de maneira contínua e ininterrupta.

Essa ajuda, que veio como bálsamo num momento de extrema necessidade, se transformou em meio de vida. Era mais fácil ganhar ou receber em doação que trabalhar, que comprar, que dar um jeito de ter. Ela treinou bem e cumpre diuturnamente com perfeição o papel de coitadinha que precisa sempre da solidariedade e da compreensão alheia. Todo mundo tem de entender que ela "amadureceu" muito com aquela perda e que ela não tem recursos nem pra quem correr. E, dessa forma, justificando todas as atitudes na perda por que passou, ela foi vivendo escorada na boa vontade alheia.

Foi assim sempre. O papel lhe rende bem e faz com que possa contar sempre com a ajuda dos outros para quase tudo. É uma vida de incertezas, por certo. Nem sempre os compromissos são cumpridos no tempo e no prazo, é claro. Todavia, quando se cumpre o papel que lhe cabe na cena, o retorno é garantido. O tempo passou e lá se vão quase dez anos daquele fatídico momento que mudou o rumo dela. Só que agora um acontecimento inteiramente novo veio transformar-lhe a vida.

Porém, as circunstâncias não são as melhores. Há uma confusão ao redor da transformação imprevisível e surpreendente e avassaladora. Passado o susto e conformada com o que é sem jeito; em vez de tomar as rédeas da situação, em vez de aproveitar o ensejo para se tornar enfim dona da própria vida, em vez de se transformar na mulher que deve ser, na adulta que assume suas responsabilidades, o que ela fez foi, mais uma vez, cumprir o papel. Em torno deste, há uma série de outros tangenciais e não menos dignos de dó. Mais uma vez ela contou com o suporte das pessoas ao redor (inclusive eu), que sem pestanejar demonstraram que são verdadeiros amigos e pessoas com quem ela pode contar sempre.

O que me exaspera é que, muito tempo depois da primeira reviravolta, o comportamento é exatamente o mesmo. Agora não se tem mais uma adolescente perdida, a gente está de frente pra uma mulher que se recusa a se tornar adulta, que insiste em encenar esse papel porque mais confortável, porque mais fácil, porque é o que ela cresceu fazendo. O que me transtorna é ver algumas pessoas passando a mão na cabeça no momento em que é preciso de uma chacoalhada. Não dá mais pra permanecer coadunando com o pensamento distorcido de que o mundo lhe deve ser mais dócil. Não dá mais para ir fechando os buracos antes dela pisar no chão.

A vida não é fácil pra ninguém e, muitas vezes (muitas mesmo!), ela vai exigir muito mais força, muito mais vontade, muito mais garra do que se supõe ter. A vida coloca desafios aparentemente intransponíveis na nossa frente e, podemos contar com ombros amigos, mãos solidárias e carinho, sim (é claro!), o que não se pode é querer que os outros passem por isso e enfrentem as circunstâncias pela gente. A responsabilidade por nossos atos é individual, personalíssima, exclusiva, indisponível. A responsabilidade é um ônus intuitu personae. E, se estamos diante de uma mulher adulta, em pleno gozo de suas faculdades mentais, com capacidade laborativa, não há mais nada que justifique o escoramento.

Sinto dizer que é chegada a hora de crescer, querida. Sinto dizer que é o momento de correr atrás de seu lugar no mundo, do seu meio de sobrevivência, do seu lugar ao sol. É preciso coragem e muita força indubitavelmente. É preciso equilíbrio psicológico e determinação. Simplesmente não dá mais pra ficar brincando de casinha, nem ficar contando com quem ficou de vir e já se foi. Não dá para pedir aos outros que cuidem do que você, somente você, tem de cuidar. Para as adversidades, você tem amigos que ajudarão, sem sombra de dúvida. Mas para o que é ordinário, é com você mesma. E é só.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A mais difícil das conquistas

Gostar de alguém é a mais difícil das conquistas. Reescrevo agora porque andei pensando... O engraçado é que, quando a gente gosta, constata uma série de razões imponderáveis para que isso aconteça. Mas acontece e é simples. É um estalar de dedos, é um piscar de olhos e uma mão pousada sobre a perna ou um beijinho atrás da orelha ou a frase certa na hora certa ou um abraço que mais parece colchão de ar... Não é só isso, é claro. Mas é isso também e muito mais.

Porque, quando a gente gosta de alguém, nem é preciso dizer nada, os pensamentos são transmitidos pelo olhar e ainda assim as conversas não têm fim. Quando a gente gosta, não precisa estar junto o tempo todo para sentir a vastidão do sentimento; mas, estando junto, a despedida é a mais difícil das tarefas. Quando gosta, não precisa de cobrança, de agradecimento, de bater o pé, de impor opinião, de dar explicações; é tudo tão natural e óbvio que a gente agradece e explica e reflete por e sobre a perfeição do encaixe. Quando a gente gosta, a maior diversão de todas pode ser simplesmente estar junto em qualquer lugar, mesmo que sem música, sem banda, sem turma, sem festa, sem álcool.

Gostar de alguém é descobrir então que há uma razão para se estar aqui; é querer promover a felicidade de mais alguém além de si e promovê-la com prazer e por reconhecer que aquele sorriso é causa e efeito do seu, numa simbiose ininterrupta de felicidade e bem querer. Gostar de alguém é querer cercar a pessoa de momentos únicos, de boas recordações e de realidade também, porque não é só de sonho e ternura que se vive. Gostar de alguém é pirar um pouquinho, é esquecer que se tem umbigo, é se ver pelos olhos de outrem, é guiar a vida adequando dois caminhos para um ponto de chegada comum. Gostar de alguém é aprender, é ouvir uma cantora nova e por isso ter a canção preferida do momento; é ler o autor preferido do outro e descobrir que se tem muito mais em comum; é viajar nos relatos de viagens que o outro fez e fazer mil roteiros novos, a dois.

Gostar de alguém é traçar novas rotas no caminho, é mudar de perspectivas e de certezas, é queimar a língua, é pagar pra ver, é se perder e se sentir no lugar certo, é ser impulsivo sem arrependimentos. Gostar de alguém é embaçar um pouquinho a visão e mudar o destino e seguir às cegas, puro instinto. Gostar de alguém é a aposta mais prazerosa de ser feita e que não se tem como perder: porque quando a gente ganha, é felicidade que se recebe; e se se perde, é a alegria de ter vivido e ter tentado.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Eu, nas linhas do autor da minha vida

"Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa. Acredito que essa moça, no fundo, gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera. Estranho é que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é? A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas? A moça.. ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar. As vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera? E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça - que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca - levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário... por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda."
Caio F.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O homem sem face

Durante a noite, sorrateiramente, ele invade meu sonho. Parece estranhamente real, estranha premonição, estranho pressentimento. Os sentimentos embaralhados com a presença daquela pessoa sem face, desconhecida, incógnita, mas íntima. Assim mesmo. Ele é parte da minha vida, ele me abraça apertado e beija minha testa. Assistimos juntos a filmes na TV, ambos deitados esparramados na cama, a minha perna sobre a dele. A gente anda de mãos dadas pela rua e brinca com os pequenos num entrosamento familiar que me deixa perplexa. Os pequenos sorriem de volta pra ele e tudo me parece incompreensível porque ele não tem face. Matheus me conta que se lembra do dia em que ele chegou do céu e aterrissou na piscina, conta que ele veio num balão colorido e pousou entre os prédios, diz que assistiu a tudo da varanda e gritou dando tchauzinho, que ele perguntou por mim assim que o viu. E eu fico com cara de boba, sem entender nada. Thomás brinca de leão, de pega-pega, de nham-nham como se ele estivesse com a gente há muito. E eu o vejo circular nos meus ambientes, lidar com a nossas coisas e problemas cotidianos e continuo com o ponto de interrogação piscando na testa. Ele me puxa pela cintura e me beija a boca, sussura coisas impublicáveis no meu ouvido e eu fico vermelha, ele entra e sai da minha casa, estaciona o carro na outra vaga da garagem a que temos direito, ele frenquenta meus (nossos?) restaurantes preferidos. Quando na sua presença, meu coração inexplicavelmente acelera, e a revoada de borboletas fica indômita no meu estômago, mas nem assim eu consigo ver os olhos dele, não consigo definir seu rosto. Ele invade meus sonhos todas as noites e eu nem sei quem ele é. Entretanto, todo dia eu acordo pendindo que ele se apresente para mim na vida real. Por que não hoje?

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Refletindo e constatando

Eu tô passando por um momento de introspecção. Parece que as coisas que acontecem ao redor me atingem de um jeito diferente. São pessoas, fatos, decisões que bagunçam um pouco a fortaleza que eu construí para me proteger da loucura que me ameaçou. Parece que eu cansei de ser forte, eu cansei de ser eu e vem uma vontade (constrangedora até) de me atirar no colo de alguém que cuide de mim, que resolva meus problemas, que pague minhas contas e me beije e me ame e deixe eu jogar minha perna sobre a perna.

Eu ainda sinto uma falta enorme dele, uma saudade aguda e dolorida numa penca de momentos da minha vida. Todavia, eu não consigo deixar de encarar a realidade da impossibilidade. E aí o meu desejo tem objeto indefinido, qualquer objeto, mas não qualquer um. Teria que ser especial, único, doce e quente. O meu desejo de companhia e essa dor de solidão me deprimem e eu me pego deitada na cama à noite projetando toda uma novela mexicana com finais felizes, com alguém cujo rosto é embaçado e desconhecido.

Eu olho e não reconheço ninguém que assuma o papel de protagonista. Eu até procuro e converso e dou espaço, daquele jeito meu: primeiro o susto da história, depois o rechaçar básico, umas fugidas com desculpas esfarrapadas e, só depois de constatada a persistência, eu abro uma janela para ver se a sorte entra. Mas não. É sempre tudo complicado, porque depende de uma série de variáveis ininteligíveis, incompreensíveis e imponderáveis.

Gostar de alguém é a mais difícil das conquistas. Difícil, porque gostar de verdade é muito raro. Necessita de preocupação, de química, lágrimas, brisa ou encantamento. Sexo, envolvimento e até paixão, é fácil... Mas gostar mesmo, é muito difícil.

Para gostar de alguém não precisamos que este seja o mais bonito ou o mais sexy, mas ser apenas aquele a quem se quer proteger e que quando se chega ao seu lado nos sintamos encantados, estando ele bem ou deprimido. Gostar é fazer pactos com a felicidade mesmo que esporádica, escondida, fugidia ou impossível de durar. Quem gosta, sabe do valor da mão dada num gesto repentino, apenas porque deu vontade; de um carinho na face, do abraço apertado, da vontade de comprar e oferecer um perfume, do mimo, de poesia lida bem devagar, do sorriso que quer aparecer quando o outro chega, do brilho do olhar ou o olhar cúmplice sem palavras...

Saber gostar é também exagerar...
Saber gostar é enlouquecer aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido...

(Sol Brito)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Can I walk with you through your life? *

É o primeiro pensamento do dia e o último antes de apagar.
É recorrente e mnemônico.
É diuturno e absoluto.
É certeza pressentida.
É absurdo incoerente.
É paz, tranquilidade, equilíbrio.
É o melhor que pode ser.
É o melhor que pode ter.
É vontade insaciável.
É querer só mais um pouquinho.
É íntimo, intrínseco, interno.
É perto, é certo, é tempo.
É cuidado, carinho, compreensão.
É dividir, compartilhar, apoiar.
É aproximar, ajudar, dar a mão.
É estar junto quando sim e quando não.
É querer, prometer, arriscar.
É sim, sim, sim.
É já já, é pra ontem.
É urgente e passional.
É intenso e racional.
É lógico e estampado.
É escândalo silenciado.
É revolução, confusão, alguns não.
É disposição, afeição, coração.
É bem-querer, é querer, é antever.
É estar sem estar.
É prometer e cumprir.
É presença na ausência.
É esperar, ansiar, aguardar.
Um dia será.

* Música no post abaixo.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Valetine's Day


A música diz tudo que precisa ser dito:
"You and I can find what the world's been looking for forever: friendship and love together".

Só mais uma coisa: se quiser chegar, já pode!