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domingo, 15 de maio de 2011

It's not a race at all

"Look at us: running around, always rushed, always late. I guess that's why they call it human race. What we crave most in this world is connection. For some people it happens at first sight. That's when you know, you know. It's fate working its magic. And that's great for them. They get to live in a pop song. Ride the express train. But that not the way it really works. For the rest of us it's a bit less romantic. It's complicated and it's messy. It's about horrible timing and fumbled opportunities and not being able to say what you need to say when you need to say it.

Look at us: running around, always rushed, always late. I guess that's why they call it human race. But some times, it slows down just enough for all the pieces to fall into place. Fate works its magic and you're connected. Every once and awhile, among all the randomness, something unexpected happens and it pushes us all forward. And the truth is, what I'm starting to think, what I'm starting to feel is that maybe the human race isn't a race at all."

From: The Switch
Música: All the beautiful things - Eels

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Gabito Nunes, meu rei!

"Mas a vida é lotada de meninas com esse quê de "sei-lá-o-que-ela-tem-mas-tem-algo-como-ninguém". (...) Vai ver ela tem o dom. É doce, melodiosa, dedicada ao mesmo tempo que histérica, safada, louca. Provoca um coquetel de tesão na mesma medida de pavor, resultando num afã desgovernado de levar pra casa, dar banho e uns carinhos. Quando temos os olhos hipotecados pelo jeitinho dela, todas as outras parecem via de regra. (...) Pode ser a voz, o piscar, o andar, a forma como estrala as costas, a combinação das roupas, o sorriso rasgado que ilumina o ambiente, a careta que faz quando corta o dedo. Alguém que reluz, camufla os demais, é posto em relevo, que incha suas pupilas. São essas incríveis e inexplicáveis arestas da paixão que excepciona um só no meio de tantos outros. Pessoas que, ao se aproximarem, nos deixam assim, sem jeito."

domingo, 1 de maio de 2011

What about the news?

"We don't get to pick who we fall in love with, and it doesn't happen like it should." (No strings attached)

terça-feira, 22 de março de 2011

Minhas emoções são pálidas

Eu tenho essa mania de esconder e controlar as explosões que acontecem em mim. Meus sentimentos ficam escondidos nos recônditos mais profundos dos meus porões internos e aquilo que se vê, aquilo que transborda é tão somente uma mínima parte da imensidão que carrego comigo. Se me virem chorar aos soluços, acreditem, a dor é muito maior. Se me virem abraçar com carinho, acreditem, a ternura é muito maior. Se me ouvirem confessar sentimentos, acreditem, aqui dentro nem cabe mais de tão imenso. O que sai de mim é muito pouco se comparado ao que eu efetivamente sinto. E, assim, quando dói, quando eu acho que vou sucumbir de tanta dor, eu também controlo tudo dentro de mim e, vezenquando, passo por fria, simplesmente porque me mantive estática.

Esse poema fala muito sobre mim e é meu preferido há muitos, muitos, muitos anos. Nem lembro quando li a primeira vez, mas vem hoje ilustrar a minha parcimônia na lida com o que quer entrar em erupção.

Renúncia
              
Me mantive branca,
Me mantive estática;
No entanto uma chama
De paixão estranha
Ardeu dentro em mim.
Mas ele não soube,
Nem saberá nunca,
Tudo que senti...

Vi mundos nublados,
Me aromei de nardos,
Me tremia o peito...
E em meu porte erguido,
Me mantive estática,
Minha emoção foi pálida...
Já passou o momento,
Foi-se a tempestade.

Não saberá ele
Que senti seus lábios
Beijar minha carne;
Que ao fitar nos seus
Meus olhos profundos,
Entreguei minh'alma;
Que tremi de anelos,
Juntando nas minhas
As suas mãos cálidas

Mas passou o momento
Como tudo passa,
E entre labaredas
Desse fogo imenso
Me mantive estática,
Me mantive branca.

Tu sábio e grandioso
Senhor do Universo,
Tu, sim, é que o sabes;
Te entrego este grave
Instante que redime
Meus pecados todos;
Guarda o meu segredo,
Que ele nunca saiba
Isto que tu sabes.

(Manuel Bandeira: Poemas traduzidos, in: Estrela da Vida Inteira)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Calma aí


Eu ouvi essa música já tem tempo. Alguns versos me fizeram lacrimejar, me deram aquele aperto no peito que não me deixa, mas vai e volta. Fiquei com estes versos na cabeça, mas achei que ela fosse da Marisa Monte e não consegui encontrá-la. Hoje, eu achei. Apesar de triste, apesar de falar de um amor que não conseguiu ser eterno, é uma música que fala de esperança. Achei linda e acho sinceramente que vem muito a calhar a última estrofe: "Talvez nós dois sejamos um é fato que se consolidará num novo amor o nosso amor, amor"

"Calma aí
Pera aí
Não espere tanto desse amor

Outra vez
Sem sentir
Corro para os braços que me largam

Na tristeza de sentir
Tanta solidão acompanhada por aí
De tanto amor pra dar
Não vou mais chorar
Não quero dizer mais nada de mal

Olha aqui
Meu amor
Não se esqueça nunca que eu tentei

Sem rancor
Sem mentir
Sempre fiz aquilo tudo que te prometi

Meu amor
Foi tanto amor
Que eu quis que fosse eterno até morrer
Mas sei que foi enquanto em mim durou

Talvez nós dois
Sejamos um
É fato que se consolidará
Num novo amor
O nosso amor, amor"


(Calma aí - Monique Kessous)

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Eu, nas linhas do autor da minha vida

"Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa. Acredito que essa moça, no fundo, gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera. Estranho é que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é? A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas? A moça.. ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar. As vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera? E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça - que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca - levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário... por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda."
Caio F.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O que é, o que é?

O que é, o que é que diminui as distâncias e alarga o campo de visão? Que cria uma tensão em torno das milhares de letrinhas saltando na tela? Que causa frio na barriga quando do aviso sonoro de mensagem na caixa de entrada do celular? Que causa sorriso espontâneo quando o visor pisca aquela palavra?

O que é, o que é que que vira pensamento recorrente? Que traz certeza de futuro do presente? Que cria entrelinhas e enredos, todos com finais felizes e sorrisos estampados? Que devolve colorido ao cinza impregnado? Que faz vulcão em deserto?

O que é, o que é que causa uma vontade persistente de dividir os acontecimentos da vida, ordinários e extraordinários? Que cria vontade de ficar perto e disponível sempre, para sempre? Que causa frio na barriga quando diante de confissões e de segredos? Que causa arrepio e ansiedade no silêncio partilhado?

O que é, o que é que causa medo e derruba redomas de proteção? Que pode até gerar tentativa de fuga do inescapável?  Que cria negativas para as evidências? Que submete a lógica e a racionalidade aos apelos estapafúrdios e insensatos do órgão que pulsa?

O que é, o que é que causa falta de ar, arritmia, espasmos, vertigem, tontura e moleza no corpo e não há remédio que cure? Que faz com que se queira testar a lei física de que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço? Que transforma a maneira de ver o mundo ao redor e de se enxergar também?

O que é, o que é que devolve a auto estima? Que transmuta os ideias? Que converte convicções em absolutas incertezas? Que causa revisão de valores e prioridades? Que joga no rosto um sorriso bobo e um olhar perdido?

O que é, o que é que traz razão e sentido para viver e lutar?


Aquilo que dá no coração
E nos joga nessa sinuca
Que faz perder o ar e a razão
E arrepia o pelo da nuca
Aquilo reage em cadeia
E incendeia o corpo inteiro
Faísca, risca, trisca, arrodeia
Dispara o rito certeiro
Avassalador. Chega sem avisar
Toma de assalto, atropela
Vela de incendiar
Arrebatador. Vem de qualquer lugar
Chega, nem pede licença
Avança sem ponderar
Aquilo bate, ilumina
Invade a retina, retém no olhar
O lance que laça na hora
Aqui e agora, futuro não há
Aquilo se pega de jeito
Te dá um sacode pra lá de além
O mundo muda, estremece
O caos acontece não poupa ninguém
Avassalador chega sem avisar
Toma de assalto, atropela
Vela de incendiar
Arrebatador. Vem de qualquer lugar
Chega, nem pede licença
Avança sem ponderar...
(Lenine _ Aquilo que dá no coração)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Saudade do que ainda virá também

Meu nome hoje é saudade.
E o sobrenome me explica: tenho saudade do que ainda sei que virá.
E você me chama pelo melhor apelido de todos: esperança.
Não há outro modo de ser.

From: Rainha de Copas

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Persistirei no que pressinto*

Eu não preciso saber do seu passado, nem das histórias das cicatrizes que traz. Eu não preciso destrinchar suas memórias mais antigas. Não preciso fazer perguntas indevidas. Não preciso entender. Eu só preciso perceber que veio, que chegou, que invadiu minha vida e que, com isso, transformará tudo que me cerca num colorido vibrante e inesquecível. Eu esperava, ansiava por você desde antes de saber que. Eu aguardava sua chegada desde muito antes. E esse encontro devolverá a mim o desejo de viver, de ser, de estar. Pressinto que você está perto e já abri todos os meus cômodos para sua chegada. Eu vejo os sinais e espero o abre-alas. Pressinto o que nos move e moverá por muito tempo. Pressinto o que carregaremos e construiremos em uníssono. Pressinto sua vida na minha vida nas nossas vidas. Pressinto um lar repleto e algazarras. Pressinto o sentimento inequívoco, perene, maduro. Pressinto a felicidade compartilhada por um, por dois, por três, por mais. Meus pressentimentos me permitem antever o que eu nem sei quando vai existir. A certeza de que existirá está em mim. Antevejo os diálogos que travaremos. Antessonho os sonhos de dois, de três, de quatro. Antessei o que diremos um ao outro nas noites de primavera-verão-outono-inverno. Eu sei que está aí em algum lugar e que, nesse momento, sua vida se prepara para se chocar com a minha. Eu sei que inescapável. E que chegue assim, súbito-suave, para ficar. E que não haja escapes, dúvidas, problemas e confusões; mas se houver, que sejam pulados como as ondas do mar. Pressinto sua chegada, eu escuto os passos ao longe e sei que, de algum modo, as engrenagens do caos já rodam a nosso favor. Falta só a gente se (re)conhecer.

* "Não te farei nenhuma pergunta embora precisasse não para te definir ou para te compreender não preciso saber de onde vens assim como para me definires ou me compreenderes não precisas de nenhum dado concreto mas eu não te defino nem te compreendo apenas sei que chegaste e que esta tua chegada modificará em mim todas as coisas que se tornaram suaves todas as cordialidades ou amenidades que contruí nesse tempo de absoluta sede ansiava por ti como quem anseia pela salvação ou pela perdição porque qualquer coisa poderia me salvar desta imobilidade que me devasta por dentro te direi apenas para sobreviver mas já não quero sobreviver já não quero apenas ir adiante é preciso que qualquer coisa abata essa letargia porque já não admiro precariedades porque não sei o que digo nem o que sinto mas persistirei no que pressinto". (Caio Fernando Abreu, O Afogado in: O Ovo Apunhalado, p. 92)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O amor quando é amor é amor

No meio das defesas todas, havia algo que não se defendia, não sabia como se defender, não conseguiria, ainda que tentasse. Havia algo delicioso de se sentir que escorregava de dentro da gente e se esparramava no sorriso. Escapulia no olhar. Cantava no silêncio. Fazia florescer pés de sol no tempo encantado em que estávamos juntos. Dispensava nomes e entendimentos. Havia algo que tinha um cheiro inconfundível de alegria. De vida abraçada. De chuva quando beija a aridez. De lua quando é cheia e o céu diz estrelas. Um cheiro da paz risonha do encontro que é bom.

No meio das defesas todas, havia algo que não se defendia, não sabia como se defender, não conseguiria, ainda que tentasse. Havia algo maravilhoso para ser dado e recebido, daqueles presentes que a vida embrulha com os seus papéis mais bonitos e entrega, toda contente, a duas pessoas. Havia algo para ser trocado, e troca é quando duas vidas se sentem olhadas ao mesmo tempo. Havia algo que fazia um coração falar com o outro, ouvir o que era dito, gostar do que era dito, rir com o que era dito, sentir-se espelhado, sentir-se enternecido, querer brincar, muito além do que qualquer palavra, por qualquer motivo, por qualquer defesa, tentasse, em vão, esclarecer. Uma vontade de parar todos os relógios do mundo para eternizar a dádiva da presença compartilhada, e a impressão de que às vezes até conseguíamos.

No meio das defesas todas, havia algo que não se defendia, não sabia como se defender, não conseguiria, ainda que tentasse. Havia algo que escapava, ileso, dos artifícios todos, todos tolos, que a razão arranjava para não deixar o amor fluir com a beleza dele, o chamado dele, a natureza dele. Amor sempre arruma brecha para escoar entre os dedos temerosos do medo. Pode ser que a gente sinta tanto receio e se proteja tanto, as feridas antigas cicatrizadas coisíssima nenhuma, que nem consiga vivê-lo em sua plenitude. Mas que ele escoa, escoa. Esparrama no sorriso. Escapole no olhar. Canta no silêncio. Diz.

No meio das defesas todas, havia algo que não se defendia, não sabia como se defender, não conseguiria, ainda que tentasse. Havia algo que delatava o desejo, os quarteirões da gente todos iluminados com o fogo feliz da sensualidade, iluminadas as ruas todas que dão acesso ao lugar onde o corpo e a alma costumam se encontrar e dançar numa única canção. Havia algo que não podia ser negado, preterido, amordaçado. Algo que inaugura primavera, tanto faz se é inverno. Algo raro e precioso. Que é perfeito, ao mesmo tempo que consegue incluir todas as imperfeições. Que é lindo, ao mesmo tempo que consegue integrar as esquisitices todas que gente também tem. Havia amor e, de um jeito ou de outro, sabíamos sem nos dizer, havia chegado pra ficar.

O amor quando é amor é amor.
(Encontro - Ana Jácomo)
Eu não mudaria nenhuma linha do que está escrito. Torcendo muito para que aconteça.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Faz de Conta

Não respondo teus e-mails e, quando respondo, sou ríspido, distante, mantenho-me alheio: FAZ DE CONTA QUE EU TE ODEIO.


Te encho de palavras carinhosas, não economizo elogios, me surpreendo de tanto afeto que consigo inventar, sou uma atriz, sou do ramo: FAZ DE CONTA QUE EU TE AMO.

Estou sempre olhando pro relógio, sempre enaltecendo os planos que eu tinha e que os outros boicotaram, sempre reclamando que os outros fazem tudo errado: FAZ DE CONTA QUE EU DOU CONTA DO RECADO.

Debocho de festas e de roupas glamurosas, não entendo como é que alguém consegue dormir tarde todas as noites, convidados permanentes para baladas na área vip do inferno: FAZ DE CONTA QUE EU NÃO QUERO.

Choro ao assistir o telejornal, lamento a dor dos outros e passo noites em claro tentando entender corrupções, descasos, tudo o que demonstra o quanto foi desperdiçado meu voto:FAZ DE CONTA QUE EU ME IMPORTO.

Digo que perdôo, ofereço cafezinho, lembro dos bons momentos, digo que os ruins ficaram no passado, que já não lembro de nada, pessoas maduras sabem que toda mágoa é peso morto: FAZ DE CONTA QUE EU NÃO SOFRO.

Cito Aristóteles e Platão, aplaudo ferros retorcidos em galerias de arte, leio poesia concreta, compro telas abstratas, fico fascinada com um arranjo techno para uma música clássica e assisto sem legenda o mais recente filme romeno: FAZ DE CONTA QUE EU ENTENDO.

Tenho todos os ingredientes para um sanduíche inesquecível, a porta da geladeira está lotada de imãs de tele-entrega, mantenho um bar razoavelmente abastecido, um pouco de sal e pimenta na despensa e o fogão tem oito anos mas parece zerinho: FAZ DE CONTA QUE EU COZINHO.

Bem-vindo à Disney, o mundo da fantasia, qual é o seu papel? Você pode ser um fantasma que atravessa paredes, ser anão ou ser gigante, um menino prodígio que decorou bem o texto, a criança ingênua que confiou na bruxa, uma sex symbol a espera do seu cowboy: FAZ DE CONTA QUE NÃO DÓI.

(Martha Medeiros)

O texto me abalou e eu tive que escrever. Porque, né? Eu me canso desse faz de conta todo, eu me canso dessas pretensões humanas corriqueiras. Eu dizia ontem que eu não tenho paciência para mi-mi-mi, para gente chiliquenta, para quem não aguenta o tranco. O mundo não é para os fracos e a gente tá aqui pra ser feliz. Ficar superdimensionando coisas microscópicas é o mal do século. Não quero ser paladino de nada, nem a voz da razão para as pessoas, mas eu divido os problemas da vida em reais e abstratos. Problemas reais exigem solução e raciocínio. Problemas abstratos, como o próprio nome diz, são abstrações.

Sempre digo que depois de passar por um grande sofrimento você se torna muito mais livre. Livre para arriscar, para viver, para ser e fazer o que quiser pelo simples motivo de que você sabe que aguenta Eu aguento tranco. Eu sou do tipo que levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima. Eu procuro não perder um segundo do meu escasso tempo sofrendo por coisa pequena. Sim, eu tenho dores que latejam aqui dentro, eu tenho problemas reais aqui fora e, ainda assim, eu só quero é ser feliz.

Eu não faço de conta que odeio nem que amo; eu não faço de conta que dou conta do recado ou que me importo; eu não faço de conta que não sofro e que não dói. Eu não odeio ninguém e a quem eu amo, eu sempre digo isso, com todas as letras: EU-TE-AMO! Eu não deixo mais nada para depois. Eu dou conta de algumas coisas e de outras eu simplesmente não consigo dar, não sei digerir e, portanto, não me atrevo. Eu não faço de conta que não sofro nem que não dói. Dói para c@R@lh0!!! Mas e aí, depois de reconhecer que dói, impõem-se duas opções: sofrer ou seguir. Eu escolho a segunda. Sempre.

Repito: não sou exemplo de nada, não é essa a intenção. Mas é que eu não tenho paciência pra faz de conta nem pra mi-mi-mi.