O que é, o que é que que vira pensamento recorrente? Que traz certeza de futuro do presente? Que cria entrelinhas e enredos, todos com finais felizes e sorrisos estampados? Que devolve colorido ao cinza impregnado? Que faz vulcão em deserto?
O que é, o que é que causa uma vontade persistente de dividir os acontecimentos da vida, ordinários e extraordinários? Que cria vontade de ficar perto e disponível sempre, para sempre? Que causa frio na barriga quando diante de confissões e de segredos? Que causa arrepio e ansiedade no silêncio partilhado?
O que é, o que é que causa medo e derruba redomas de proteção? Que pode até gerar tentativa de fuga do inescapável? Que cria negativas para as evidências? Que submete a lógica e a racionalidade aos apelos estapafúrdios e insensatos do órgão que pulsa?
O que é, o que é que causa falta de ar, arritmia, espasmos, vertigem, tontura e moleza no corpo e não há remédio que cure? Que faz com que se queira testar a lei física de que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço? Que transforma a maneira de ver o mundo ao redor e de se enxergar também?
O que é, o que é que devolve a auto estima? Que transmuta os ideias? Que converte convicções em absolutas incertezas? Que causa revisão de valores e prioridades? Que joga no rosto um sorriso bobo e um olhar perdido?
O que é, o que é que traz razão e sentido para viver e lutar?
Aquilo que dá no coração
E nos joga nessa sinuca
Que faz perder o ar e a razão
E arrepia o pelo da nuca
Aquilo reage em cadeia
E incendeia o corpo inteiro
Faísca, risca, trisca, arrodeia
Dispara o rito certeiro
Avassalador. Chega sem avisar
Toma de assalto, atropela
Vela de incendiar
Arrebatador. Vem de qualquer lugar
Chega, nem pede licença
Avança sem ponderar
Aquilo bate, ilumina
Invade a retina, retém no olhar
O lance que laça na hora
Aqui e agora, futuro não há
Aquilo se pega de jeito
Te dá um sacode pra lá de além
O mundo muda, estremece
O caos acontece não poupa ninguém
Avassalador chega sem avisar
Toma de assalto, atropela
Vela de incendiar
Arrebatador. Vem de qualquer lugar
Chega, nem pede licença
Avança sem ponderar...
(Lenine _ Aquilo que dá no coração)