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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A mais difícil das conquistas

Gostar de alguém é a mais difícil das conquistas. Reescrevo agora porque andei pensando... O engraçado é que, quando a gente gosta, constata uma série de razões imponderáveis para que isso aconteça. Mas acontece e é simples. É um estalar de dedos, é um piscar de olhos e uma mão pousada sobre a perna ou um beijinho atrás da orelha ou a frase certa na hora certa ou um abraço que mais parece colchão de ar... Não é só isso, é claro. Mas é isso também e muito mais.

Porque, quando a gente gosta de alguém, nem é preciso dizer nada, os pensamentos são transmitidos pelo olhar e ainda assim as conversas não têm fim. Quando a gente gosta, não precisa estar junto o tempo todo para sentir a vastidão do sentimento; mas, estando junto, a despedida é a mais difícil das tarefas. Quando gosta, não precisa de cobrança, de agradecimento, de bater o pé, de impor opinião, de dar explicações; é tudo tão natural e óbvio que a gente agradece e explica e reflete por e sobre a perfeição do encaixe. Quando a gente gosta, a maior diversão de todas pode ser simplesmente estar junto em qualquer lugar, mesmo que sem música, sem banda, sem turma, sem festa, sem álcool.

Gostar de alguém é descobrir então que há uma razão para se estar aqui; é querer promover a felicidade de mais alguém além de si e promovê-la com prazer e por reconhecer que aquele sorriso é causa e efeito do seu, numa simbiose ininterrupta de felicidade e bem querer. Gostar de alguém é querer cercar a pessoa de momentos únicos, de boas recordações e de realidade também, porque não é só de sonho e ternura que se vive. Gostar de alguém é pirar um pouquinho, é esquecer que se tem umbigo, é se ver pelos olhos de outrem, é guiar a vida adequando dois caminhos para um ponto de chegada comum. Gostar de alguém é aprender, é ouvir uma cantora nova e por isso ter a canção preferida do momento; é ler o autor preferido do outro e descobrir que se tem muito mais em comum; é viajar nos relatos de viagens que o outro fez e fazer mil roteiros novos, a dois.

Gostar de alguém é traçar novas rotas no caminho, é mudar de perspectivas e de certezas, é queimar a língua, é pagar pra ver, é se perder e se sentir no lugar certo, é ser impulsivo sem arrependimentos. Gostar de alguém é embaçar um pouquinho a visão e mudar o destino e seguir às cegas, puro instinto. Gostar de alguém é a aposta mais prazerosa de ser feita e que não se tem como perder: porque quando a gente ganha, é felicidade que se recebe; e se se perde, é a alegria de ter vivido e ter tentado.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Can I walk with you through your life? *

É o primeiro pensamento do dia e o último antes de apagar.
É recorrente e mnemônico.
É diuturno e absoluto.
É certeza pressentida.
É absurdo incoerente.
É paz, tranquilidade, equilíbrio.
É o melhor que pode ser.
É o melhor que pode ter.
É vontade insaciável.
É querer só mais um pouquinho.
É íntimo, intrínseco, interno.
É perto, é certo, é tempo.
É cuidado, carinho, compreensão.
É dividir, compartilhar, apoiar.
É aproximar, ajudar, dar a mão.
É estar junto quando sim e quando não.
É querer, prometer, arriscar.
É sim, sim, sim.
É já já, é pra ontem.
É urgente e passional.
É intenso e racional.
É lógico e estampado.
É escândalo silenciado.
É revolução, confusão, alguns não.
É disposição, afeição, coração.
É bem-querer, é querer, é antever.
É estar sem estar.
É prometer e cumprir.
É presença na ausência.
É esperar, ansiar, aguardar.
Um dia será.

* Música no post abaixo.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Sexto Sentido

Eu não sei quando e também não sei como, mas ultimamente eu tenho percebido que eu desenvolvi um sexto sentido mais acurado. Um negócio meio sensitivo, meio intuitivo, que me ajuda e me faz antever coisas que acontecem. Longe de ser uma vidência, longe de ser clarividência ou qualquer coisa outra. É só um pressentimento, que vezenquando, se confirma. Normalmente, em relação a coisas boas. Normalmente, tem a ver com algumas pessoas que dançam comigo na minha vida.

Quase todas as surpresas boas que tive no pior de todos os anos foram intuídas, pressentidas, antevistas. Algumas nem tão boas também. Espero não estar tão completamente enganada sobre nada do que tenho pressentido. Torço para que tudo se confirme, porque há já uma expectativa batendo no meu coração. Aí, a cabeça fica martelando: confirma! confirma! confirma!

Aguardem cenas dos próximos capítulos...

domingo, 23 de janeiro de 2011

Expectativa

Consta nos astros, nos signos, nos búzios
Eu li num anúncio, eu vi no espelho, tá lá no evangelho, garantem os orixás
Serás o meu amor, serás a minha paz
Consta nos autos, nas bulas, nos dogmas
Eu fiz uma tese, eu li num tratado, está computado nos dados oficiais
Serás o meu amor, serás a minha paz
Mas se a ciência provar o contrário, e se o calendário nos contrariar
Mas se o destino insistir em nos separar
Danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas
Os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos
Profetas, sinopses, espelhos, conselhos
Se dane o evangelho e todos os orixás
Serás o meu amor, serás a minha paz
Consta na pauta, no Karma, na carne, passou na novela
Está no seguro, pixaram no muro, mandei fazer um cartaz
Serás o meu amor, serás a minha paz
Mas se a ciência provar o contrário, e se o calendário nos contrariar
Mas se o destino insistir em nos separar
Danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas
Os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos
Profetas, sinopses, espelhos, conselhos
Se dane o evangelho e todos os orixás
Serás o meu amor, serás amor a minha paz
Consta nos mapas, nos lábios, nos lápis
Consta nos Ovnis, no Pravda, na vodca.



(Dueto - Chico Buarque)


Na terapia, descobri que sou uma pessoa pragmática e racional (What about the news?, diria o Thi). Pois é, mas isso até no momento de crise, no olho do furacão, no meio do cataclisma... As minhas ações mais instintivas são racionais nessas ocasiões. 


Racionalmente refletindo, uma das coisas que sempre pensei foi que eu encontraria um outro amor, que eu casaria de novo. Embora não tivesse nem ideia de como, de quando, de quem (não tenho até hoje), embora eu não visse nenhuma outra pessoa ocupando os espaços que eram dele, embora eu carregasse (ainda carrego) comigo uma gama variada de preconceitos sobre mulheres com menos de trinta anos e dois filhos e sem marido...
Pensar na possibilidade de amar me dava uma certa tranquilidade pra lidar com a minha dor. 


Não é que eu acreditasse no papinho do mundo todo de que eu sou nova, de que tenho a vida inteira pela frente, e blablablá; mas eu tinha dentro de mim uma certa convicção de que o amor iria acontecer. Porque inevitável, porque eu estou viva, porque eu quero, porque sim, ora! Não aconteceu, mas vai acontecer. É certo. Eu sinto aqui dentro de mim que há alguém nesse mundo ao deus dará que se encaixará perfeitamente aos meus anseios e às demandas dos dois que me acompanham - como eu disse uma vez, nesse caso, 1+1 será no mínimo 4. 


Alguém que virá como brisa suave, com a leveza da manhã, sem dores, rancores, pedras nas mãos. Chegará como acalanto, como paz, como navio atracando no porto. Não será preciso rituais nem formalidades, porque quando a gente chega para ficar normalmente é leve, confortável, com certo ar de casa da mãe. O amor virá fluído, fácil, rápido, óbvio e, ainda assim, intenso, avassalador, arrebatador do jeito que só o amor sabe ser. 


E, se for me dada a escolha, quero que venha no momento mais oportuno, quando cada coisa tiver assentado em seu lugar, cada problema tiver alcançado a solução, cada dor tenha parado de latejar e que o coração desfrute da tranquilidade e do sabor de fruta mordida. Quando ele chegar, eu quero saber reconhecer e usufruir, sem medo, sem traumas, sem preconceitos sobre homens que se interessam por viúvas jovens. Quero curtir o caminho sem medos, reservas ou barreiras. Quero que seja profundo, incontestável e para sempre.


Quando o amor chegar, as borboletas começarem a revoar, os sinos começarem a tocar, eu venho aqui dizer que eu já sabia e que pressenti a chegada desse tempo bom.