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quinta-feira, 24 de março de 2011

Desejo

Que a dor que a gente carrega nunca se transforme em mágoa, em rancor, em destemperança. Que aqueles que nos feriram nunca sejam feridos do mesmo modo. Que o mal que nos acomete seja único e excepcional. Que as pancadas sofridas não virem azedume. Que a esperança seja perene, persistente, eterna, presente. Que os sorrisos sejam em maior número que as lágrimas. Que as borboletas sejam diárias e que tragam sorrisos. Que as emoções sejam felizes e que carreguem consigo vontade de quero mais. Que haja sempre pessoas por perto, de mãos dadas, ombros amigos, colos confortáveis, beijos e afagos. Que não falte prazer em rir, em viver, em amar. Que todos os dias sejam vistos como uma nova oportunidade, uma página em branco, uma chance a mais. Que as surpresas sejam sempre boas. Que a paz faça do coração um reduto permanente. Que haja calma, tranquilidade e alegria na rotina. Que os dias sejam permeados por pequenos gestos de carinho. Que a saudade não seja dolorida, que ela faça tão somente cosquinha no coração pelo que se foi vivido, muito bem vivido. Que haja sempre um cantinho de aconchego. Que haja um corpo que aqueça a alma. Que haja uma boca para beijar. Que haja um abraço beeeem apertado a dar. Que haja gente para compartilhar alegria e amparar as lágrimas. Que haja sempre, pelo menos, um motivo de orgulho por ser quem se é e isso seja capaz de justificar sua existência inteira. Que, mesmo nos dias mais difíceis, ainda se encontre centenas de razões para recomeçar. Que a tristeza e a solidão não sejam a principal companhia. Que nos dias mais tristes uma criança gargalhe por perto ou apareça um arco-íris no céu. Que pequenos gestos sejam capazes de criar a compreensão da dádiva que é viver. Que se encontre a felicidade mais completa nas coisas mais simples. Que se saiba que realizar sonhos é o objetivo de se estar aqui. Que se entenda que é temporário, que é efêmero, que é finito. Que se perceba uma ótima oportunidade e não a desperdice. Que se saiba amar com força, com entrega, com paixão, com profundidade, com tudo que se é capaz de dar. Que se doe a si, à vida, aos filhos, aos outros. Que se ame sem medo, sem reservas, sem pés atrás. Que se viva inteiramente. Só assim.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A mais difícil das conquistas

Gostar de alguém é a mais difícil das conquistas. Reescrevo agora porque andei pensando... O engraçado é que, quando a gente gosta, constata uma série de razões imponderáveis para que isso aconteça. Mas acontece e é simples. É um estalar de dedos, é um piscar de olhos e uma mão pousada sobre a perna ou um beijinho atrás da orelha ou a frase certa na hora certa ou um abraço que mais parece colchão de ar... Não é só isso, é claro. Mas é isso também e muito mais.

Porque, quando a gente gosta de alguém, nem é preciso dizer nada, os pensamentos são transmitidos pelo olhar e ainda assim as conversas não têm fim. Quando a gente gosta, não precisa estar junto o tempo todo para sentir a vastidão do sentimento; mas, estando junto, a despedida é a mais difícil das tarefas. Quando gosta, não precisa de cobrança, de agradecimento, de bater o pé, de impor opinião, de dar explicações; é tudo tão natural e óbvio que a gente agradece e explica e reflete por e sobre a perfeição do encaixe. Quando a gente gosta, a maior diversão de todas pode ser simplesmente estar junto em qualquer lugar, mesmo que sem música, sem banda, sem turma, sem festa, sem álcool.

Gostar de alguém é descobrir então que há uma razão para se estar aqui; é querer promover a felicidade de mais alguém além de si e promovê-la com prazer e por reconhecer que aquele sorriso é causa e efeito do seu, numa simbiose ininterrupta de felicidade e bem querer. Gostar de alguém é querer cercar a pessoa de momentos únicos, de boas recordações e de realidade também, porque não é só de sonho e ternura que se vive. Gostar de alguém é pirar um pouquinho, é esquecer que se tem umbigo, é se ver pelos olhos de outrem, é guiar a vida adequando dois caminhos para um ponto de chegada comum. Gostar de alguém é aprender, é ouvir uma cantora nova e por isso ter a canção preferida do momento; é ler o autor preferido do outro e descobrir que se tem muito mais em comum; é viajar nos relatos de viagens que o outro fez e fazer mil roteiros novos, a dois.

Gostar de alguém é traçar novas rotas no caminho, é mudar de perspectivas e de certezas, é queimar a língua, é pagar pra ver, é se perder e se sentir no lugar certo, é ser impulsivo sem arrependimentos. Gostar de alguém é embaçar um pouquinho a visão e mudar o destino e seguir às cegas, puro instinto. Gostar de alguém é a aposta mais prazerosa de ser feita e que não se tem como perder: porque quando a gente ganha, é felicidade que se recebe; e se se perde, é a alegria de ter vivido e ter tentado.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Can I walk with you through your life? *

É o primeiro pensamento do dia e o último antes de apagar.
É recorrente e mnemônico.
É diuturno e absoluto.
É certeza pressentida.
É absurdo incoerente.
É paz, tranquilidade, equilíbrio.
É o melhor que pode ser.
É o melhor que pode ter.
É vontade insaciável.
É querer só mais um pouquinho.
É íntimo, intrínseco, interno.
É perto, é certo, é tempo.
É cuidado, carinho, compreensão.
É dividir, compartilhar, apoiar.
É aproximar, ajudar, dar a mão.
É estar junto quando sim e quando não.
É querer, prometer, arriscar.
É sim, sim, sim.
É já já, é pra ontem.
É urgente e passional.
É intenso e racional.
É lógico e estampado.
É escândalo silenciado.
É revolução, confusão, alguns não.
É disposição, afeição, coração.
É bem-querer, é querer, é antever.
É estar sem estar.
É prometer e cumprir.
É presença na ausência.
É esperar, ansiar, aguardar.
Um dia será.

* Música no post abaixo.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Humano, demasiado humano*

''Se você deseja ser excessivamente racional, desista. Em algum momento entrará em contradição. Se almeja ser extremamente cartesiano, matemático, desista. Em algum momento sua emoção o trairá. E, se conseguir ser racional e estritamente lógico, a vida perderá o sabor, o tempero. Estará apto para ser um alienígena, e não um ser humano." (Augusto Cury)

Taí, eu desisto de fingir que não sinto. Desisto de tapar o sol com a peneira e de fazer caber aqui dentro o que já não cabe mais em mim. Desisto de tentar impedir as palavras de jorrarem, expondo tudo que torna os batimentos descompassados assim. Desisto de olhar para os lados e subir em bondes sem rumo certo. Desisto de experimentar outros sabores se eu já sei bem que gosto eu prefiro. Desisto das tentativas vãs de preencher um espaço vazio cujo encaixe tem peça específica e pronta. Desisto de dar murro em ponta de faca, de bater a cabeça na parede, de dar nó em pingo d'água. Desisto de esconder o que é estampa. Desisto de ocultar o que escapole pelos olhos. Desisto de forjar sorrisos porque eles podem ser totalmente sinceros se e quando. Desisto desse pensamento racional, cartesiano, matemático que me faz crer que existem coisas intransponíveis. Desisto de fingir, de mentir, de negar. Desisto de criar histórias mirabolantes para justificar o que só caberia em uma história. Desisto de fugir dessa coisa que me persegue por meses e que nenhuma relutância minha foi capaz de vencer. Desisto de construir barreiras, muros de proteção, açudes de continência, na expectativa de que evitem a explosão. Desisto de relutar contra o desejo mais premente. Desisto de não ser o que eu sou. Desisto dessa vida de aparência, dessa convivência segundo os padrões e a depender de conformidades. Quero dizer, quero falar, quero deixar claro, quero explodir, quero instenso assim, quero descompassado assim. Quero ser humano.

*Nietzsche

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Eu quero viver de renda

A sra. Rainha de Copas disse no blog dela que queria viver de amor. Eu não. Eu queria viver de renda. Pragmática como eu sou, eu queria aproveitar o ócio criativo, o ócio romântico, o ócio infantil, o ócio preguiçoso. Eu queria momentos espalhada na cama, no meio da tarde ou da manhã de uma dia (in)útil. Digo isso, porque útil mesmo é o sábado e o domingo. Nos demais dias, a gente dá um pulo da cama, engole um café com pão, corre pra deixar na escola, pega um trânsito bacana, corre pra chegar no trabalho, corre na hora do almoço, saca dinheiro, paga contas, faz compras, reabastece a geladeira, engole arroz com ovo, dá uma olhada na agenda do maior e repassa informações à babá sobre a lição de casa, corre de novo para o trabalho, corre pra cumprir prazos, corre pra não chegar tarde em casa, e senta de frente ao computador para resolver coisas da vida, e coloca as crianças na cama, toma banho, passa uns cremes e cai mortinha da silva.

Isso não é vida, senhoras e senhores. Eu queria viver de renda. Pronto, falei! Sabe colocar todas as contas em débito automático? Sabe não precisar checar o saldo quase que diariamente? Sabe ter certeza de que dá e sobra? Sabe ter toda a tranquilidade do mundo pra pensar em amor, em viagens, em passeios, jantares, festinhas sem precisar fazer cálculos?!?!? Ai, gente! Toparia fácil demais! E nem adianta me dizer que dinheiro não é tudo. Eu sei que não é. Eu não preciso do dinheiro, eu só queria que ele estivesse lá na conta para eu ter certeza de que nem me preocupo com ele. Simples assim.

Ah, Sra. Rainha de Copas, eu queria mesmo era viver de renda, porque sem a cabeça cheia, sem cálculos mentais, assim esparramada na cama bem no meio da semana, até o amor fica mais fácil de imaginar e, quem sabe, achar.

Eu queria...

Já me disseram que, com o passar do tempo, com o distanciamento temporal, a gente consegue enxergar que a vida foi trilhando o caminho que deveria mesmo ter tomado... Pessoalmente, eu penso que a gente meio que se conforma com o que aconteceu, até porque ninguém pode viver de conjecturas, cheia de partículas condicionais martelando na testa, no gerúndio e repetindo o futuro do pretérito incansavelmente. A gente esquece as inúmeras possibilidades e se concentra única e exclusivamente no que é certo, no que é, simplesmente.

Aí, eu só digo uma coisa pra essa vida danada: "Mas que eu queria, eu queria!".

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Dedos cruzados

"Se não for hoje, um dia será. Algumas coisas, por mais impossíveis e malucas que pareçam, a gente sabe, bem no fundo, que foram feitas para um dia dar certo." (Caio F.)
E eu espero que você esteja certo, Caio. Espero mesmo. Porque tudo que eu quero agora é que as coisas deem certo de vez. Esperando pela paz e pela tranquilidade que eu sonhei pra mim.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Tomara

Os dados foram lançados no ar e minhas cartas estão todas na mesa. Disseram-me que eu deixasse estar, que o que for para ser vigora. E eu acredito nisso, mas ainda assim cruzo os dedos, torço muito, faço minhas mandigas conspiratórias. Sei que fiz a parte que me cabia, sei que tentei so hard, sei que fiz minha aposta no futuro, no desconhecido e no inacreditável. É difícil? É demais! É impossível? Acho que não. Tomara que sim! Tomara que logo! Tomara!!!