Todo meu tempo e todo meu zelo, toda minha atenção e todo meu carinho, todo meu ouvido e todos os meus conselhos, toda minha história e toda minha paciência, toda minha ânsia e toda minha urgência, todo meu querer e todo meu bem-querer, toda minha expectativa e todo meu sonhar, todo os meus verbos de ligação, todos os meus predicados, todos os meus argumentos, todos os meus anseios, todo o meu futuro, todo complemento, todo sentimento, toda angústia, tudo ofertado gratuitamente e sem vestígio de reciprocidade.
Ama o objeto direto do amor, mas quando não há reciprocidade, amar se torna um verbo intransitivo. Ama apenas, ama só, ama sozinha, ama e não é amada. Amar deveria, antes de tudo, ser um verbo reflexivo.
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Refletindo e constatando
Eu tô passando por um momento de introspecção. Parece que as coisas que acontecem ao redor me atingem de um jeito diferente. São pessoas, fatos, decisões que bagunçam um pouco a fortaleza que eu construí para me proteger da loucura que me ameaçou. Parece que eu cansei de ser forte, eu cansei de ser eu e vem uma vontade (constrangedora até) de me atirar no colo de alguém que cuide de mim, que resolva meus problemas, que pague minhas contas e me beije e me ame e deixe eu jogar minha perna sobre a perna.
Eu ainda sinto uma falta enorme dele, uma saudade aguda e dolorida numa penca de momentos da minha vida. Todavia, eu não consigo deixar de encarar a realidade da impossibilidade. E aí o meu desejo tem objeto indefinido, qualquer objeto, mas não qualquer um. Teria que ser especial, único, doce e quente. O meu desejo de companhia e essa dor de solidão me deprimem e eu me pego deitada na cama à noite projetando toda uma novela mexicana com finais felizes, com alguém cujo rosto é embaçado e desconhecido.
Eu olho e não reconheço ninguém que assuma o papel de protagonista. Eu até procuro e converso e dou espaço, daquele jeito meu: primeiro o susto da história, depois o rechaçar básico, umas fugidas com desculpas esfarrapadas e, só depois de constatada a persistência, eu abro uma janela para ver se a sorte entra. Mas não. É sempre tudo complicado, porque depende de uma série de variáveis ininteligíveis, incompreensíveis e imponderáveis.
Gostar de alguém é a mais difícil das conquistas. Difícil, porque gostar de verdade é muito raro. Necessita de preocupação, de química, lágrimas, brisa ou encantamento. Sexo, envolvimento e até paixão, é fácil... Mas gostar mesmo, é muito difícil.
Para gostar de alguém não precisamos que este seja o mais bonito ou o mais sexy, mas ser apenas aquele a quem se quer proteger e que quando se chega ao seu lado nos sintamos encantados, estando ele bem ou deprimido. Gostar é fazer pactos com a felicidade mesmo que esporádica, escondida, fugidia ou impossível de durar. Quem gosta, sabe do valor da mão dada num gesto repentino, apenas porque deu vontade; de um carinho na face, do abraço apertado, da vontade de comprar e oferecer um perfume, do mimo, de poesia lida bem devagar, do sorriso que quer aparecer quando o outro chega, do brilho do olhar ou o olhar cúmplice sem palavras...
Saber gostar é também exagerar...
Saber gostar é enlouquecer aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido...
(Sol Brito)
Eu ainda sinto uma falta enorme dele, uma saudade aguda e dolorida numa penca de momentos da minha vida. Todavia, eu não consigo deixar de encarar a realidade da impossibilidade. E aí o meu desejo tem objeto indefinido, qualquer objeto, mas não qualquer um. Teria que ser especial, único, doce e quente. O meu desejo de companhia e essa dor de solidão me deprimem e eu me pego deitada na cama à noite projetando toda uma novela mexicana com finais felizes, com alguém cujo rosto é embaçado e desconhecido.
Eu olho e não reconheço ninguém que assuma o papel de protagonista. Eu até procuro e converso e dou espaço, daquele jeito meu: primeiro o susto da história, depois o rechaçar básico, umas fugidas com desculpas esfarrapadas e, só depois de constatada a persistência, eu abro uma janela para ver se a sorte entra. Mas não. É sempre tudo complicado, porque depende de uma série de variáveis ininteligíveis, incompreensíveis e imponderáveis.
Gostar de alguém é a mais difícil das conquistas. Difícil, porque gostar de verdade é muito raro. Necessita de preocupação, de química, lágrimas, brisa ou encantamento. Sexo, envolvimento e até paixão, é fácil... Mas gostar mesmo, é muito difícil.
Para gostar de alguém não precisamos que este seja o mais bonito ou o mais sexy, mas ser apenas aquele a quem se quer proteger e que quando se chega ao seu lado nos sintamos encantados, estando ele bem ou deprimido. Gostar é fazer pactos com a felicidade mesmo que esporádica, escondida, fugidia ou impossível de durar. Quem gosta, sabe do valor da mão dada num gesto repentino, apenas porque deu vontade; de um carinho na face, do abraço apertado, da vontade de comprar e oferecer um perfume, do mimo, de poesia lida bem devagar, do sorriso que quer aparecer quando o outro chega, do brilho do olhar ou o olhar cúmplice sem palavras...
Saber gostar é também exagerar...
Saber gostar é enlouquecer aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido...
(Sol Brito)
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Joie de vivre
Nem sempre tudo dá certo. Nem sempre a vida tá nos eixos, nos conformes. Nem sempre a gente vive em plenitude. Quase ninguém é capaz de olhar ao redor e se sentir completo. Quase ninguém consegue reconhecer a perfeição daquilo que dispõe. A gente tem essa tendência esdrúxula de se concentrar no que falta, nos buracos e nas feridas abertos, no que não está.
Recebi por email estes dias um texto de Contardo Calligaris cujo título é "Felicidade e Alegria". Isso muito me interessa, pensei. O texto começa com uma ementa que diz: "Ser alegre (muito melhor do que ser feliz) é gostar de viver mesmo quando a vida nos castiga". E eu concordo. Dá pra se ter alegria no meio do pior momento da vida, eu já contei esses causos lá no outro blog. A gente tá aqui é pra viver mesmo, é pra provar, é pra tirar de cada experiência um pouco mais, uma lição. A gente tá aqui pra crescer. Não, eu não sou espírita e não acho que esse é um mundo de expiações. Muito pelo contrário, acho que estamos aqui para ser feliz e só.
Para mim, ser feliz justifica a nossa existência inteira muito mais que a promessa da vida além da morte. Ser feliz, fazer o bem, distribuir alegria, amar e conviver com as pessoas é o motivo de que precisamos para a vida. É o cerne, é o centro de tudo. Justamente porque acho que ser feliz é o foco, acho também que a gente precisa encarar com alegria tudo o que vier, inclusive o que não for bom. Não intento (nem poderia) diminuir as dores, as correntes, as cruzes e os pesos que arrastamos ao longo da nossa existência. Não é isso.
O que discuto é até que ponto vale a pena a gente se prender nisso - nas dores, nas correntes, nas cruzes e nos pesos; se há um mundo de possibilidades aberto. Eu acredito no poder do ser humano, eu acredito na capacidade de superação, eu acredito na força interior, mas mais que isso tudo, eu acredito que é uma questão de escolha pessoal. É de dentro pra fora que essa alegria para superar tem que acontecer. E, não mais que de repente, a alegria escolhida individualmente contagia as pessoas ao redor e faz o mundo um lugar melhor. Calligariz coaduna desse pensamento: "Ora, nossa alegria encanta o mundo, justamente, porque ela enxerga e nos permite sentir o que há de extraordinário na vida de cada dia, como ela é".
Depois de tudo, eu entendi que não é preciso forças sobrenaturais, nem milhões em contas nominais, nem conglomerados materiais, nem luxo nem conforto demais, nem inúmeros bens materiais. Depois de tudo, eu tive certeza do que antes eu só desconfiava: o que há de mais importante no mundo, de mais valoroso não é emprego, bens, nem suor do nosso rosto. O que faz valer a pena são as pessoas e a maneira como tocamos e somos tocados pelo cruzamento de vidas e isso só é possível quando se tem essa alegria de viver.
Por Calligaris: "Para reencantar o mundo, é suficiente descobrir que o verdadeiro encanto da vida é a vida mesmo".
Recebi por email estes dias um texto de Contardo Calligaris cujo título é "Felicidade e Alegria". Isso muito me interessa, pensei. O texto começa com uma ementa que diz: "Ser alegre (muito melhor do que ser feliz) é gostar de viver mesmo quando a vida nos castiga". E eu concordo. Dá pra se ter alegria no meio do pior momento da vida, eu já contei esses causos lá no outro blog. A gente tá aqui é pra viver mesmo, é pra provar, é pra tirar de cada experiência um pouco mais, uma lição. A gente tá aqui pra crescer. Não, eu não sou espírita e não acho que esse é um mundo de expiações. Muito pelo contrário, acho que estamos aqui para ser feliz e só.
Para mim, ser feliz justifica a nossa existência inteira muito mais que a promessa da vida além da morte. Ser feliz, fazer o bem, distribuir alegria, amar e conviver com as pessoas é o motivo de que precisamos para a vida. É o cerne, é o centro de tudo. Justamente porque acho que ser feliz é o foco, acho também que a gente precisa encarar com alegria tudo o que vier, inclusive o que não for bom. Não intento (nem poderia) diminuir as dores, as correntes, as cruzes e os pesos que arrastamos ao longo da nossa existência. Não é isso.
O que discuto é até que ponto vale a pena a gente se prender nisso - nas dores, nas correntes, nas cruzes e nos pesos; se há um mundo de possibilidades aberto. Eu acredito no poder do ser humano, eu acredito na capacidade de superação, eu acredito na força interior, mas mais que isso tudo, eu acredito que é uma questão de escolha pessoal. É de dentro pra fora que essa alegria para superar tem que acontecer. E, não mais que de repente, a alegria escolhida individualmente contagia as pessoas ao redor e faz o mundo um lugar melhor. Calligariz coaduna desse pensamento: "Ora, nossa alegria encanta o mundo, justamente, porque ela enxerga e nos permite sentir o que há de extraordinário na vida de cada dia, como ela é".
Depois de tudo, eu entendi que não é preciso forças sobrenaturais, nem milhões em contas nominais, nem conglomerados materiais, nem luxo nem conforto demais, nem inúmeros bens materiais. Depois de tudo, eu tive certeza do que antes eu só desconfiava: o que há de mais importante no mundo, de mais valoroso não é emprego, bens, nem suor do nosso rosto. O que faz valer a pena são as pessoas e a maneira como tocamos e somos tocados pelo cruzamento de vidas e isso só é possível quando se tem essa alegria de viver.
Por Calligaris: "Para reencantar o mundo, é suficiente descobrir que o verdadeiro encanto da vida é a vida mesmo".
sábado, 29 de janeiro de 2011
Não é fácil escutar...
Eu admito que tenho andado com muitos pés atrás quando o assunto é o coração. Neguinho chega junto na balada, eu escancaro a história "viúva-dois-filhos" e geral sai correndo com rabinho entre as pernas. Porque, né? Quem vai encarar A-LOU-CA?!?!
Mas aí, se o cara escuta o fora e ainda assim quer, como se a história trágica não fosse nada demais, o que fazer? Fácil! - penso eu - Peço pra ler o blog. É claro que ele vai pensar que eu tô deprimida e louca e revivendo e sofrendo todos os dias o luto, a perda e tals. Vai sair correndo na hora - insisto. Porque o intuito é mesmo enxotar do meu redor gente pequena, gente fraca, gente assim, num palavreado chulo, que quer me comer. Acho super válido pra galera que tá aí na night se pegando. Eu só acho que, pra mim, passou a fase.
Difícil mesmo é aceitar quando sabem da história, leem o blog e insistem, porque nesse ponto eu já nem sei mais o que fazer. Sério mesmo. Não é fácil escutar que a pessoa quer você. Não é fácil escutar quando diz que acha que encontrou uma mulher, não mais as meninas da balada. Não é fácil escutar quando a pessoa diz que podia estar aí na night, pegando, e preferiu fazer um programa com você.
E sabe por que não é fácil? Nessa hora, a verdade esbofeteia sua cara. Não é fácil escutar porque não dá para entender o que um cara solteiro, pegador, estabelecido na vida quer fazer com VOCÊ. Ele não pode estar querendo nada com VOCÊ. Acorda! Abre os olhos! É óbvio que tem que ter algo errado nessa história. E você percebe que sua auto-estima tá no chão, que você morre de pena de si mesma e que seus próprios preconceitos sobre mulheres com filhos com menos de trinta anos e sem marido te impedem de tentar de verdade com quem quer que seja.
Mas aí, se o cara escuta o fora e ainda assim quer, como se a história trágica não fosse nada demais, o que fazer? Fácil! - penso eu - Peço pra ler o blog. É claro que ele vai pensar que eu tô deprimida e louca e revivendo e sofrendo todos os dias o luto, a perda e tals. Vai sair correndo na hora - insisto. Porque o intuito é mesmo enxotar do meu redor gente pequena, gente fraca, gente assim, num palavreado chulo, que quer me comer. Acho super válido pra galera que tá aí na night se pegando. Eu só acho que, pra mim, passou a fase.
Difícil mesmo é aceitar quando sabem da história, leem o blog e insistem, porque nesse ponto eu já nem sei mais o que fazer. Sério mesmo. Não é fácil escutar que a pessoa quer você. Não é fácil escutar quando diz que acha que encontrou uma mulher, não mais as meninas da balada. Não é fácil escutar quando a pessoa diz que podia estar aí na night, pegando, e preferiu fazer um programa com você.
E sabe por que não é fácil? Nessa hora, a verdade esbofeteia sua cara. Não é fácil escutar porque não dá para entender o que um cara solteiro, pegador, estabelecido na vida quer fazer com VOCÊ. Ele não pode estar querendo nada com VOCÊ. Acorda! Abre os olhos! É óbvio que tem que ter algo errado nessa história. E você percebe que sua auto-estima tá no chão, que você morre de pena de si mesma e que seus próprios preconceitos sobre mulheres com filhos com menos de trinta anos e sem marido te impedem de tentar de verdade com quem quer que seja.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Eu quero viver de renda
A sra. Rainha de Copas disse no blog dela que queria viver de amor. Eu não. Eu queria viver de renda. Pragmática como eu sou, eu queria aproveitar o ócio criativo, o ócio romântico, o ócio infantil, o ócio preguiçoso. Eu queria momentos espalhada na cama, no meio da tarde ou da manhã de uma dia (in)útil. Digo isso, porque útil mesmo é o sábado e o domingo. Nos demais dias, a gente dá um pulo da cama, engole um café com pão, corre pra deixar na escola, pega um trânsito bacana, corre pra chegar no trabalho, corre na hora do almoço, saca dinheiro, paga contas, faz compras, reabastece a geladeira, engole arroz com ovo, dá uma olhada na agenda do maior e repassa informações à babá sobre a lição de casa, corre de novo para o trabalho, corre pra cumprir prazos, corre pra não chegar tarde em casa, e senta de frente ao computador para resolver coisas da vida, e coloca as crianças na cama, toma banho, passa uns cremes e cai mortinha da silva.
Isso não é vida, senhoras e senhores. Eu queria viver de renda. Pronto, falei! Sabe colocar todas as contas em débito automático? Sabe não precisar checar o saldo quase que diariamente? Sabe ter certeza de que dá e sobra? Sabe ter toda a tranquilidade do mundo pra pensar em amor, em viagens, em passeios, jantares, festinhas sem precisar fazer cálculos?!?!? Ai, gente! Toparia fácil demais! E nem adianta me dizer que dinheiro não é tudo. Eu sei que não é. Eu não preciso do dinheiro, eu só queria que ele estivesse lá na conta para eu ter certeza de que nem me preocupo com ele. Simples assim.
Ah, Sra. Rainha de Copas, eu queria mesmo era viver de renda, porque sem a cabeça cheia, sem cálculos mentais, assim esparramada na cama bem no meio da semana, até o amor fica mais fácil de imaginar e, quem sabe, achar.
Isso não é vida, senhoras e senhores. Eu queria viver de renda. Pronto, falei! Sabe colocar todas as contas em débito automático? Sabe não precisar checar o saldo quase que diariamente? Sabe ter certeza de que dá e sobra? Sabe ter toda a tranquilidade do mundo pra pensar em amor, em viagens, em passeios, jantares, festinhas sem precisar fazer cálculos?!?!? Ai, gente! Toparia fácil demais! E nem adianta me dizer que dinheiro não é tudo. Eu sei que não é. Eu não preciso do dinheiro, eu só queria que ele estivesse lá na conta para eu ter certeza de que nem me preocupo com ele. Simples assim.
Ah, Sra. Rainha de Copas, eu queria mesmo era viver de renda, porque sem a cabeça cheia, sem cálculos mentais, assim esparramada na cama bem no meio da semana, até o amor fica mais fácil de imaginar e, quem sabe, achar.
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