quarta-feira, 12 de setembro de 2012
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
Pedaços
E sempra há o ato final, sem aplusoos, com a pequena plateia farta de nossas más atuações. Vão me dizer "Ei, cara, se decide, ou caga ou desocupa a moita, tem mais gente interessada, não vê que assim trata a menina mal?", e vão aconselhá-la "Depois não adianta chorar uma semana inteira e me ligar achando que posso dormir uma noite lá e consolar você". É sempre a mesma coisa, mas é que, sei lá, as coisas parecem menos complicadas enquanto a gente se beija. (Gabito Nunes)
ACRYLIC ON CANVAS
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Renato Rocha/ Marcelo Bonfá
É saudade, então
E mais uma vez
De você fiz o desenho
Mais perfeito que se fez
Os traços copiei
Do que não aconteceu
As cores que escolhi
Dentre as tintas que inventei
Misturei com a promessa
Que nós dois nunca fizemos
De um dia sermos três
Trabalhei você
Em luz e sombra
E era sempre:
"-Não foi por mal.
-Eu juro que nunca quis deixar você tão triste"
Sempre as mesmas "disculpas"
E desculpas nem sempre são sinceras
Quase nunca são.
Preparei a minha tela
Com pedaços de lençóis
Que não chegamos a sujar
A armação fiz com madeira
Da janela do seu quarto
Do portão da sua casa
Fiz paleta e cavalete
E com as lágrimas que não brincaram com você
Destilei óleo de linhaça
E da sua cama arranquei pedaços
Que talhei em estiletes de tamanhos diferentes
E fiz então, pincéis com seus cabelos
Fiz carvão do batom que roubei de você
E com ele marquei dois pontos de fuga
E rabisquei meu horizonte.
E era sempre:
"-Não foi por mal.
-Eu juro que não foi por mal, eu não queria machucar você.
Prometo que isso não vai acontecer mais uma vez"
E era sempre, sempre o mesmo novamente
A mesma traição
Às vezes é difícil esquecer:
"-Sinto muito, ela não mora mais aqui".
Mas então porque eu finjo
Que acredito no que invento
Nada disso aconteceu assim
Não foi desse jeito.
Ninguém sofreu
E é só você
Que provoca essa saudade vazia
Tentando pintar essas flores com o nome
De Amor-Perfeito e Não-Te-Esqueças-De-Mim.
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Renato Rocha/ Marcelo Bonfá
É saudade, então
E mais uma vez
De você fiz o desenho
Mais perfeito que se fez
Os traços copiei
Do que não aconteceu
As cores que escolhi
Dentre as tintas que inventei
Misturei com a promessa
Que nós dois nunca fizemos
De um dia sermos três
Trabalhei você
Em luz e sombra
E era sempre:
"-Não foi por mal.
-Eu juro que nunca quis deixar você tão triste"
Sempre as mesmas "disculpas"
E desculpas nem sempre são sinceras
Quase nunca são.
Preparei a minha tela
Com pedaços de lençóis
Que não chegamos a sujar
A armação fiz com madeira
Da janela do seu quarto
Do portão da sua casa
Fiz paleta e cavalete
E com as lágrimas que não brincaram com você
Destilei óleo de linhaça
E da sua cama arranquei pedaços
Que talhei em estiletes de tamanhos diferentes
E fiz então, pincéis com seus cabelos
Fiz carvão do batom que roubei de você
E com ele marquei dois pontos de fuga
E rabisquei meu horizonte.
E era sempre:
"-Não foi por mal.
-Eu juro que não foi por mal, eu não queria machucar você.
Prometo que isso não vai acontecer mais uma vez"
E era sempre, sempre o mesmo novamente
A mesma traição
Às vezes é difícil esquecer:
"-Sinto muito, ela não mora mais aqui".
Mas então porque eu finjo
Que acredito no que invento
Nada disso aconteceu assim
Não foi desse jeito.
Ninguém sofreu
E é só você
Que provoca essa saudade vazia
Tentando pintar essas flores com o nome
De Amor-Perfeito e Não-Te-Esqueças-De-Mim.
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Na casa dele
Foi sábado passado. Estava um dia frio (bem frio para os meus padrões cearenses) e chovia. Uma chuvinha fina, dessas que parecem tristeza, que me remetem imediatamente ao banzo de alguém que sofre sem nem entender direito o porquê. Eu tinha tentado contatar um alguém que me informasse o endereço preciso. Minhas buscas internéticas foram em vão. E, naquela manhã, ao abrir o facebook, a resposta de que eu precisava tanto estava ali. Ainda dava tempo! Joguei tudo no google maps e memorizei aqueles esquadros.
Corri para o banheiro. Usei meus apetrechos todos e me vesti como se fosse encontrar um amigo de longa data. Parece ridículo até contando agora, meio patético, talvez. Eu sei que entrei no táxi e pedi para me levar até a Av. Getulio Vargas e me deixar na quadra anterior à rua José de Alencar. Desci no Menino Deus dele e fiquei pensando, enquanto andava até à rua onde morou, quantas vezes ele passou por ali a pé, com as mãos enfiadas nos bolsos, tentando escapar do frio de Porto Alegre, com a cabeça girando em pensamentos e palavras e textos e contos e dores... Fiquei pensando, enquanto admirava as árvores frondosas e floridas, os prédios baixos sem muros, a rua de calçamento, as senhorinhas andando lentamente, o moço que passeava com um cachorro, que ele esteve ali, respirou ali, viveu ali seus últimos dias. Sim, era como se eu o conhecesse e como se tivesse saudade dele, alguém que quando descobri que existia nem existia mais. Pelo menos, não aqui.
Entrei na Rua Oscar Bittencourt e procurei o sobrado da família. Se tivessem me dado somente o nome da rua, eu a teria percorrido inteira e teria descoberto, pelas imagens que já havia visto, que era ali. A casa estava diferente, com ares mais modernos, com um verde mais vibrante colorindo a fachada. Havia carros na garagem e era estranho ver a movimentação das pessoas, uma mangueira ligada, uma piscina ao fundo. Não vi a placa com a frase dele que deveria estar lá. O jardim não é mais o mesmo, tiraram a árvore da frente, mas ainda guarda algumas roseiras. A janela no andar superior ainda abre por cima dele e deve ser uma delícia amanhecer por ali nos dias mais quentes.
Eu parei em frente à casa dele, sentei na calçada por alguns minutos e deixei minha cabeça abstrair um pouco dos meus problemas, das minhas dores, dos meus dissabores todos. Eu sentei e parecia que eu o conhecia enfim. Depois de tanto dividido, depois de tanto que me identifiquei, depois de tanto que li sobre, depois de tudo que vivi e ele viveu, depois do que ele escrevera antes mesmo de acontecer em mim, eu estava ali. Lacrimejei porque eu sei que a essência dele era de dor, de esperança e de intensidade, esse mesmo material de que sou feita. E pedi, em silêncio, para que dali em diante que seja doce, que seja doce, que seja doce para mim e para ele, onde quer que esteja.
PS: Visitei a casa de Caio Fernando Abreu em Porto Alegre no último sábado 25/08/2012, mais de 16 anos após a morte dele.
Corri para o banheiro. Usei meus apetrechos todos e me vesti como se fosse encontrar um amigo de longa data. Parece ridículo até contando agora, meio patético, talvez. Eu sei que entrei no táxi e pedi para me levar até a Av. Getulio Vargas e me deixar na quadra anterior à rua José de Alencar. Desci no Menino Deus dele e fiquei pensando, enquanto andava até à rua onde morou, quantas vezes ele passou por ali a pé, com as mãos enfiadas nos bolsos, tentando escapar do frio de Porto Alegre, com a cabeça girando em pensamentos e palavras e textos e contos e dores... Fiquei pensando, enquanto admirava as árvores frondosas e floridas, os prédios baixos sem muros, a rua de calçamento, as senhorinhas andando lentamente, o moço que passeava com um cachorro, que ele esteve ali, respirou ali, viveu ali seus últimos dias. Sim, era como se eu o conhecesse e como se tivesse saudade dele, alguém que quando descobri que existia nem existia mais. Pelo menos, não aqui.
Entrei na Rua Oscar Bittencourt e procurei o sobrado da família. Se tivessem me dado somente o nome da rua, eu a teria percorrido inteira e teria descoberto, pelas imagens que já havia visto, que era ali. A casa estava diferente, com ares mais modernos, com um verde mais vibrante colorindo a fachada. Havia carros na garagem e era estranho ver a movimentação das pessoas, uma mangueira ligada, uma piscina ao fundo. Não vi a placa com a frase dele que deveria estar lá. O jardim não é mais o mesmo, tiraram a árvore da frente, mas ainda guarda algumas roseiras. A janela no andar superior ainda abre por cima dele e deve ser uma delícia amanhecer por ali nos dias mais quentes.
Eu parei em frente à casa dele, sentei na calçada por alguns minutos e deixei minha cabeça abstrair um pouco dos meus problemas, das minhas dores, dos meus dissabores todos. Eu sentei e parecia que eu o conhecia enfim. Depois de tanto dividido, depois de tanto que me identifiquei, depois de tanto que li sobre, depois de tudo que vivi e ele viveu, depois do que ele escrevera antes mesmo de acontecer em mim, eu estava ali. Lacrimejei porque eu sei que a essência dele era de dor, de esperança e de intensidade, esse mesmo material de que sou feita. E pedi, em silêncio, para que dali em diante que seja doce, que seja doce, que seja doce para mim e para ele, onde quer que esteja.
PS: Visitei a casa de Caio Fernando Abreu em Porto Alegre no último sábado 25/08/2012, mais de 16 anos após a morte dele.
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Gabito Nunes
"São boas lembranças, mas agora estou de mudança. Vou deixar algumas memórias pra trás, não fica bem carregar tudo para um novo lugar. Mas também isso não quer dizer que vou me esquecer de vez, eu ainda vou passar por aqui. O que eu sempre achei que seria casa, agora virou caminho."
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Promessa é dívida
Sei que estou sumida, mas é que a vida tá uma loucura. Precisando manter o foco em outras coisas, sobra pouco tempo para voltar aqui. Mas eu prometi e está aqui o pagamento da promessa: a foto das canecas que eles fizeram para o dia dos Pais e me homenagearam. É lindo de ver. Confesso que me emocionei quando o Matheus chegou falando que o presente era para o Dia dos Pais, mas como o pai dele havia morrido, ele queria entregar pra mim. Foi lindo ver, no cartão do Dia dos Pais, ele escrever: "Mamãe, te amo!". Continua sendo surreal a data, continuo muitas vezes com um entalo na garganta e sem entender tudo isso direito. A diferença é que agora eu não procuro entender, eu me emociono (sim! MUITO!), mas eu não preciso entender nada.
Thi, onde quer que você esteja, saiba que eles te amam muito e que você é uma memória saudável na vida dos nossos pequenos. Te amaremos para sempre! Feliz Dis dos Pais!
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Tempo, tempo, tempo, tempo...
"Ou o tempo é Deus, ou Deus tem um implacável testa-de-ferro. Porque, não adianta, o prazo sempre vence, nunca se dá por vencido. Não perdemos tempo, perdemos para o tempo. O tempo é o agiota da vida, um empréstimo inegociável, violentamente tomado de volta, a qualquer custo. É pretensão achar que podemos suborná-lo dando tempo ao tempo, coisa que ele tem de sobra. E a charada está aí, para quem quiser ver: enquanto o tempo passa, as coisas mudam e as pessoas não." (Gabito Nunes)
terça-feira, 12 de junho de 2012
Pra você
"Liberdade na vida é ter um amor pra se prender. A gente reclama muito da dependência, mas como é maravilhosa a dependência, confiar no outro, confiar no outro a ponto de não somente repartir a memória, mas repartir as fantasias. Confiar no outro a ponto de esquecer quem se foi assim que o outro esteja junto, é talvez chegar em casa e contar seu dia e só sentir que teve um dia quando a gente conta como foi. É como se o ouvido da outra pessoa fosse nossos olhos. Amar é uma confissão. Amar é justamente quando um sussurro funciona melhor que um grito. Amar é não ter vergonha de nossas dúvidas, é falar uma bobagem e ainda se sentir importante. É lavar louça e nunca estar sozinho. É arrumar a cama e nunca estar sozinho. É aquela vontade danada de andar de mãos dadas durante o dia e de pés dados durante a noite." (Fabrício Carpinejar)
É meio místico e um tanto quanto surpreendente, mas eu antevi. Eu sabia que você viria. Eu sabia da força que a sua vinda causaria na minha vida, eu sabia da mudança e da transformação que me aguardavam num futuro que eu antecipava. Pode parecer bobo, clichê, juvenil até, mas eu pressenti a sua chegada e a simples possibilidade dela acontecer era paz no meu coração, era alívio no peso que carregava, era analgesia nas dores que me impediam de respirar profundo. A verdade indiscutível é que eu senti que haveria alguém como você.
Eu sabia que você chegaria e que, depois disso, os meus rumos, as minhas escolhas, os meus caminhos estariam irremediavelmente atrelados aos seus. Eu sabia disso com uma certeza que me perturbava, mas eu sabia. Quando eu comentava, na minha rodinha de amigas, em meio a pizza e vinho, das minhas certezas, das minhas convicções, elas me olhavam com cara de espanto e incredulidade. Muitas disseram que eu poderia estar certa, mas que você não era esse alguém de quem eu falava. Eu sabia! Dentro de mim havia essa esperança que não convalescia, havia um pressentimento inarredável, havia a cer-te-za, enfim. Nem sei como explicar e coisas assim não são explicáveis.
Você chegou até mim e era como se eu já te esperasse há muito, muito tempo. Quando as coisas começaram a acontecer realmente, elas já tinham acontecido dentro de mim. Quando nos conhecemos, foi como se eu tivesse sobrevivido ao pior de todos os vendavais justamente para esse encontro acontecer. Eu vi seus olhos de medo, de espanto, de dúvida. Eu vi sua confusão interna, sua resistência, sua inquietude ante as coisas que revolviam dentro de você e de mim. Eu vi seus pés atrás diante dessa entrega, desse encontro, desse amor. Para mim, era tudo tão familiar, it felt like home to me, que caminhamos por um longo período descompassados, em ritmos e tempos diferentes. Eu já tinha você tão dentro de mim, que parecia estranha, intensa, entregue demais. Você me olhava com olhos lúcidos, calmos, temperados e eu olhava para você como o caminho, o futuro que eu esperava encontrar e com a urgência dos que sabem que NÃO temos todo tempo do mundo.
Que bom que nos encontramos e que, do nosso caminhar em uníssono, se fez uma música audível e bonita de viver e de ouvir. Que bom que não exitamos diante de tantos apesares e de todos os pesares que enfrentamos e carregamos conosco. Que bom que você existe e que é você, desse jeito exato, desse jeito que é só seu e que é meu. Você não sabia, mas eu sabia faz tempo, como naquelas fases de efeito que as pessoas propagam virtualmente que aquilo que tem de ser tem muita força, eu sabia da força disso tudo que tinha de ser para nós.
A sua presença em minha vida tem qualquer coisa de mágica, de feitiço, de encatamento, tem muito de ontem, de hoje, de sempre e de para sempre. A sua presença na minha vida ainda me deixa arrepiada com as curvas com que nos deparamos pelo caminho, que nos jogam às vezes para o alto, às vezes para o fundo do poço. A sua presença em minha vida me faz pensar nos desígnios e nos mistérios daquilo que não conhecemos, mas que faz com que nossa vida se misture, se amarre e se encante com outra vida assim. A sua presença em minha vida faz um sorriso estampar em meu rosto, aquece meu coração, me permite encher os pulmões de ar e flanar pelo mundo com a certeza de que sou alguém para mais alguém.
Sim, é incrível pensar no enigma que cerca esses encontros tão certos entre duas pessoas numa multidão e que faz com que uma antecipe a chegada da outra e sinta, logo depois do encontro, que é como se conhecessem desde sempre. Sua presença me faz pensar em ser melhor, em correr para seu abraço, em cultivar e cuidar do seu/meu/nosso lar/jardim. Sua presença em minha vida fez eu, antes descrente de tudo, voltar a perceber e até entender a mão de Deus naquilo que não nos cabe escolher, apenas aceitar. Sua presença me fez voltar a desejar, a sonhar, a rezar e agradecer ao que vem não sei de onde e acontece nem sei porquê. Sua presença me fez pensar na oportunidade preciosa e única que é viver um amor, desses que fazem o coração descansar em paz, desses que fazem a vida mudar de rumo e devolvem a sensação de que o caminho certo é esse em que se segue.
É você, só você.
Feliz dia dos namorados! Feliz 7 meses!
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Prenúncio
As professoras dos meninos entraram em contato comigo para informar que a escola, antes das férias do meio do ano, solicitaria que seus alunos elaborassem um desenho para o Dia dos Pais (OI??? JÁ???). A antecedência nos afazeres era por conta de que estes desenhos seriam transferidos para uma caneca que seria o presente a ser ofertado pelas crianças. E lá vou eu, com dois meses de antecedência, adentrar o tema com os meus pequenos.
Batemos altos papos quando vou colocá-los para dormir. Não foi diferente dessa vez. Estávamos conversando, já deitados no quarto deles, quando eu lembrei e introduzi o assunto:
Eu: Gente, eu queria falar sobre uma coisa com vocês. É que lá na escola vai ter a Festa do Dia dos Pais e, assim, vocês sabem que o papai de vocês já está lá no céu, do ladinho de Deus, e que não vai poder comparecer, né?
Matheus: É, mãe, a gente sabe...
Eu: Pois é... Aí, tem a festinha com a dança e tudo mais. Mas tem ainda um presentinho para o papai e as professoras vão pedir para que vocês façam um desenho. Eu queria saber se vocês querem participar, se querem fazer o presente...
Matheus: Mãe, as almas das pessoas que já morreram podem voar, né?
Eu: ...
Matheus: Então, mãe, meu pai vai descer lá do céu pra ver o dia da dança pra ele. Depois ele volta pra lá.
Thomás: Só que a gente nem pode ver ele. (sic)
Eu: Mas e o presente? Vocês vão querer fazer o presentinho mesmo sem poder entregar?
Matheus: Eu quero! E eu vou entregar pra você que é como se fosse meu pai também.
Hoje eles foram instados a fazer o tal desenho e, quando eu cheguei em casa, vieram me comunicar:
Matheus: Mãe, eu fiz o desenho do Dia dos Pais hoje.
Eu: Foi, amor? O que você desenhou?
Matheus: Ah, eu não desenhei meu pai porque ele já morreu. Então eu desenhei você.
Eu: Obrigado, amor.
Thomás: Mamãe, o A. disse que meu pai não tinha morrido, não, que ele tava na nossa casa. E eu expliquei pra ele que meu pai tá no céu e que eu queria desenhar você.
(FIM)
PS: Prometo mostrar as canequinhas quando ficarem prontas.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Poderia ter sido escrito por mim
Intensa, sim. Sensível, um monte. Atrevida, não nego.
De armadura valente, essência repleta de sentir e um coração molenga, sigo cortejando flores e dissabores.
De cabelos avermelhados e esmaltes quase sempre descascados, levo na bolsa uma agenda cheia de idéias, na mente uma imaginação sem limites, na boca uma língua afiada, no documento uma idade que muitos duvidam e no peito um coração devaneador.
Sou daquelas que sonham alto, que acreditam mesmo que o vento não esteja a favor, que buscam mesmo enxergando longe demais o ponto a ser alcançado, que tentam e não desistem até que a linha de chegada revele suas surpresas.
Não vejo a vida com lentes cor de arco-íris. Na minha bagagem não cabem promessas nem utopias mas uma tendência desenfreada à esperança.
O que você chama de otimismo eu prefiro chamar de confiança e de fé. De um querer infinito. De uma coragem pulsante da qual me visto pra poder viver.
Já fui acometida pelo cansaço que desencoraja os sonhadores. Mas sou movida por uma teimosia e uma vontade de realizar que me põem de pé todas as manhãs.
As inseguranças podem até me fazer visita mas não têm morada aqui. Elas não prendem meus passos.
Eu bem que tentei. Já quis ser diferente. Já bolei metas num papel. Esperar menos, tolerar mais. Apegar menos, abstrair mais. Me importar menos, relaxar mais. Insistir menos, dessintonizar mais.
Não deu, não dá.
Cada detalhe molda meus acabamentos. Cada ruína compõe meus alicerces.
Cada estação, cada fase, cada vitória e fracasso me fizeram hoje ser quem pode muitas vezes até duvidar das pessoas e de suas intenções mas continua a apostar na vida.
E não guardo segredos. Não teço mistérios. Minha teoria é simples. Meu sentir é exagerado. Me jogo, me lasco, me entrego, me esfolo inteira. Melhor do que viver pela metade. Amar pela metade. Acreditar pela metade. Pra tombo há remédio, há refazer. Pra sonho desperdiçado, não.
Por isso gasto meus sorrisos, não passo vontades, não guardo choros, não contenho gritos. Por isso insisto em desafiar o tempo e as pedras do caminho. No meio do furacão, saio devastada mas sobrevivo à tempestade. E não paro, e não me basto.
Recuar? Calar? Desistir? Verbos inexistentes no dicionário que inventei pra mim. Eu quero é pagar pra ver o final feliz acontecer. E fim.
(Yohana SanFer)
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Tributo
Quem é meu amigo lá no face, deve ter visto que eu postei ontem o vídeo em homenagem ao Thi que passamos na Missa de Sétimo Dia dele. É um video longo (por isso está dividido em duas partes) e demoramos a rever e desmembrar em dois para caber no youtube.
O mais maravilhoso nisso tudo é que as fotos foram escolhidas por ele e as frases são dele mesmo. Era um albúm que ele tinha feito no orkut, em que ele homenageava as pessoas de que mais gostava, lembrava as inúmeras farras e falava da fase em que estávamos, com os pequenos. Eu fiz só o finalzinho, a parte dele vai até a foto do quarto do Thomás e está tudo claro no vídeo.
Dois anos e quatro meses depois do pior que poderia acontecer em minha vida, eu assisto a esse video com lágrimas nos olhos e um aperto no peito. Ver essas fotos, o sorriso, os nossos amigos e familiares e não ter ele por aqui ainda é muito louco e difícil de acreditar e de explicar também.
A Mirys pediu pra gente falar sobre amor hoje. Não encontro melhor maneira. Nele, tinha muito amor para comigo, para com os filhos, para com a família, para com os pacientes, para com os amigos e para com o mundo. Ainda me impressiona a forma como ele parecia cuidar de tudo sempre e tanto. É triste, eu sei. Só que eu sinto hoje uma tristeza boa de sentir, sem desespero, sem me cortar inteira, sem abrir crateras dentro de mim. É uma tristeza leve em vê-lo e em ouvir a música que marcou a nossa história. "Ainda assim acredito ser possível reunirmo-nos num outro tipo de vínculo".
Parte I
Parte II
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