segunda-feira, 16 de abril de 2012

Às vezes

E quando eu estiver triste, simplesmente me abrace
Quando eu estiver louco, subitamente se afaste
Quando eu estiver fogo, suavemente se encaixe
(Skank)

Às vezes, tudo que se quer é apenas e tão somente ser compreendido sem precisar verbalizar os sentimentos confusos e doloridos que andaram bagunçando os pensamentos. Às vezes, o que se quer é o ombro para apoiar a cabeça e deixar as lágrimas descerem aos borbotões, sem reprimendas, sem perguntas, sem respostas, só o acolhimento de uma dor sem escapatória. Às vezes, o que se quer é olhar nos olhos de alguém que, mesmo sem entender direito, vai abraçar forte e dizer que está do seu lado para qualquer coisa. Às vezes, o que se quer é só o colo onde descansar um pouquinho das agruras da vida. Às vezes, a força que move adiante cambaleia as pernas. Às vezes, a certeza do rumo certo fica turva e aparece essa sensação de que se está perdido, ou em queda livre, ou num labirinto. E, então, tudo que se quer é alguém que segure firme a mão e que diga que estará presente mesmo na escuridão. Às vezes, o que se quer é a certeza de que não se está só, mesmo que o momento seja ruim, mesmo que não sejam inteligíveis as razões, mesmo que. Às vezes, bastaria a sensação de que se está envolto num sentimento quatro varas*, forte e inquebrantável, seguro e inescusável, permanente.


* Segundo a lenda, há muito tempo, um homem já muito velho, perto de morrer, chamou seus quatro filhos e mandou que eles fossem à floresta e trouxessem uma vara cada. Quando eles chegaram, o velho pediu que cada um quebrasse sua vara e eles o fizeram com a maior facilidade. Depois, o ancião amarrou-as com uma corda e mandou que os filhos tentassem quebrá-las novamente. Nenhum deles conseguiu e o velho disse: meus filhos, eu não tenho riquezas nem bens para deixar para vocês. Apenas essa lição. Enquanto vocês estiverem unidos, nada nem ninguém vão conseguir quebrá-los, separá-los. Mas se vocês se separarem, ficarão fracos.


4 comentários:

Mari Vilela disse...

*-*

Unknown disse...

Cele

Seu texto de hoje, conseguiu traduzir meu momento. Obrigada por suas palavras, continue sempre com essa benção.

Moniii

Debby disse...

OI Cele, que maravilha de inspiração.
Parabéns, belo texto

Raquel Duarte disse...

Às vezes todas nós precisamos de colo. Falou e disse, Marcele! =)