terça-feira, 31 de maio de 2011

Sobre amor e outras coisas

A Mirys manda, eu obedeço. E hoje, num dia difícil pra ela, num dia de dor, num dia em que a sensação de solidão impera de novo dentro do coração dela, ela resolveu espalhar boas vibrações pelo mundo incitando a blogosfera a falar sobre família e amor. Eu não sei fazer textos programados e/ou encomendados, mas falar sobre quem eu amo eu sei. Então ficou mais fácil.

Eu tenho uma família de verdade: meus pais e meus irmãos ainda saracoteiam pelo mundo e estão comigo rotineiramente. A gente briga, a gente se desentende, a gente grita muito, quebra o pau e, passados cinco minutos, continua conversando e rindo como se nada tivesse acontecido. Tenho orgulho de viver numa família assim, verdadeira e nada rancorosa. Tenho orgulho de poder dizer que somos absolutamente francos uns com os outros, sem mistérios, sem segredos que não possam ser divididos. E é assim: quem faz coisa errada, houve os esporros dos outros, numa reunião do conselho familiar, mas também sabe que ali estão justamente as pessoas com quem poderá contar sempre. Minha mãe diz que se orgulha dos filhos que ela criou. É que no momento de precisão mesmo, no momento do pega para capar, a gente mostrou que segura a onda, nós três mostramos isso. Pai, Mãe, Manu e Tiago: AMO vocês!

Aí, você vai e forma uma família para si. Ama alguém loucamente, ama de um jeito tal, que é como se a pessoa fosse parte do que você é. Ama de um jeito que se reconhece no outro, se mistura com ele, passar a ser dois, e depois três, e depois quatro. Você se vê, de repente, como mãe de dois seres que a olham como se você tivesse superpoderes. Você vê, em dois pequenos, a mistura perfeita e na proporção exata daquilo que você é com aquilo que quem você ama é. Você passa a entender a vida, a perceber porque a gente está nesse mundo caótico. Você passa a extravazar de amor, como se ele simplesmente deixasse de caber dentro de si. A m(p)aternidade transforma o casal e, como eu sempre digo, dá um nó cego na relação. E, por mais que a vida pregue surpresas absurdas e tenha puxado meu tapete no momento em que tudo se encaminhava para a paz que eu sonhei ter, eu sei - e acredito que todo mundo saiba - reconhecer o que foi vivido. Sei também que o simples fato de ter vivido esse amor fez a minha existência ter valido a pena. Não ficou nada por dizer, nada por fazer. O coração dele parou de bater nesse mundo com a convicção plena do meu amor, assim como eu sempre soube do dele, até quando ele quis omitir. Thi, Matheus, Thomás: AMO vocês!

E tem também uma galera que é como se fosse família para mim. E essa é uma das coisas que eu sei fazer melhor: manter amigos por perto. Ainda que eles não estejam fisicamente perto. Assim, eu fui angariando gente no decorrer dos anos. No começo, eram as meninas do prédio; depois a turminha do colégio; depois o pessoal da faculdade; os amigos do Thi que herdei depois do janeiro trágico; os que chegaram virtualmente... Os amigos se acumularam, com poucas baixas. E eu me vejo hoje convivendo com pessoas com quem tenho, em anos de amizade, o mesmo número que a nossa idade. Enquanto a maioria das pessoas não consegue contar nos dedos de uma mão o número de amigos de verdade; eu acho que nem com as duas eu conseguiria dar conta. E posso garantir que passaram todos pela prova dos nove. Sinto-me felizarda por conseguir manter essas pessoas por aqui comigo. Eu sei que eles sabem, cada um deles sabe, porque, por tradição familiar, eu faço questão de falar, de deixar claro o quanto são importantes para mim. Não teria como listá-los aqui, mas repito: AMO VOCÊS!

E pensando nessas pessoas, pensando no objetivo último dessa blogagem coletiva, eu chego mais uma vez à conclusão que eu mais repeti até aqui, a maior lição que tirei do pior momento da minha vida. O mais importante nesse mundo não é aquilo que se tem, mas QUEM se tem. O mais importante nessa vida não é fazer grandes coisas, descobrir a cura de uma doença até então incurável, fazer uma grande descoberta científica, escrever um tratado publicado e traduzido em diversos países, acumular bens e fazer fortuna. Não, gente. Não é nada disso. O mais importante nessa vida é estar ao lado de quem a gente ama, e poder, vezenquando, transformar a vida das outras pessoas com pequenos gestos de amor e doação. Porque o que a gente tem de melhor é o que carrega dentro de si, é o que escapa no olhar, é a ternura dos nossos beijos, é o carinho dos nossos abraços. E isso não há nada no mundo que possa substituir. A gente só vive de verdade quando ama e se doa para alguém, para os outros, por uma causa. E amar, assim como ser feliz, exige coragem. Coragem, meus queridos! Coragem!

7 comentários:

Isabelle disse...

Já ouvi dizer que família é "onde" nosso coração está...Digo também que família é aquilo que fica mesmo no final, o tal do grande nó cego que você mesma falou.
E, no mais, só tenho a concordar com vc de que pra amar, pra ser feliz, precisamos ter muita coragem.
Mais UM lindo post, Cele.
Beijo pra vcs!

Anônimo disse...

Amei.

Ontem eu li um texto seu para um grupo de idosos. Um texto que falava do Desejo, do que vc deseja. E disse que era de uma jovem viúva com 2 filhos que deseja ser feliz dia-a-dia, e que nem chegou aos 60 ou 70 e já é viúva. Senti um olhar diferente neles, uma vontade de aproveitar cada momento dessa vida. Bjos

Publica um livro. Será o máximo. E nós leitores estaremos lá.

Lidiane Dantas
lidianedantasas@yahoo.com.br

Cin disse...

Falou bonito! Parabéns! Tbém estou participando da blogagem. Bjos!

Mirys Segalla disse...

Cele:

Someday... when I´m all alone... when the world is cold... I´ll have a "smile" just thinking of you!

Priceless, my friend! Priceless as usual! You are one of a kind!

Kisses and blessings.
Mirys
www.diariodos3mosqueteiros.blogspot.com

Anônimo disse...

Lindas palavras Marcele.
Um beijo pra você e para os pequenos.
Selma.

Naina disse...

ainda tenho de fazer o post de pq tenho um blog, é tão difícil. mas um dia eu faço. E quero fazer esse também.

Luma Rosa disse...

Cele, atraímos para nós aquilo que pensamos. Se é amiga, terá muitos amigos! Vejo muita gente reclamando que não tem amigos ou que no mundo não existem amigos verdadeiros... opa!! Há algo errado com essa pessoa e o que ela pensa é errado! Se não damos oportunidades, não a teremos!! Continue essa pessoa amorosa que é e nunca se sentirá sozinha! Beijus,