sexta-feira, 8 de abril de 2011

Solidariedade

Quando a gente perde alguém de repente, a gente não consegue mais ser insensível à dor de ninguém. Foi assim que assistindo à TV de ontem para hoje, vendo as cenas chocantes do que se passou naquela escola, que eu comecei a sentir de novo a angústia de quem perde alguém para a morte de repente. É uma angústia de quem não teve tempo de se despedir, de se preparar. Angústia de quem, até pouco tempo antes, contava com aquela pessoa na vida por muito tempo. É um aperto no peito, uma sensação de impotência, um desespero.
 
Vi a cena de uma mãe que pulava e gritava ao receber a notícia da morte do filho e entendo. Entendo porque eu sei que a sensação é de que a dor não cabe dentro, de que o corpo vai explodir e se tornar milhares de pedaços espalhados pelo chão. A sensação é insuportável, o vazio, o buraco são muito maiores do que se é capaz de conceber. O que grita por dentro é ensurdecedor e o grito da mãe, o choro convulsivo, a sensação de desfalecimento, acreditem, é mínima perto do que realmente se sente.
 
Eu assisto estarrecida ao noticiário nacional e passo mal, choro também, choro pelas vidas partidas, pelas famílias destruídas, pela dor dos outros que é minha também. Eu revejo as cenas e me revolto com essa fragilidade, com a atrocidade e com a loucura do indivíduo. Eu olho para TV e, entre as lágrimas do meu pranto silencioso, eu me reconheço naqueles rostos curtidos pela dor. Eu não sei mais ficar indiferente e sofro.
 
Não dá, não deu para não falar disso. E, apesar desse blog ter por objeto os melhores momentos da minha vida, hoje o dia amanheceu cinza dentro de mim.

 

5 comentários:

Mirys + Guigo + Nina disse...

Cele:

"Pula essa parte da história, por favor!" Seria tão bom se pudéssemos fazer com a vida o que fazemos com os filmes, não é?

Quase não escrevo o texto da blogagem coletiva. Mas saiu.

A nossa participação tá aqui ó:
http://diariodos3mosqueteiros.blogspot.com/2011/04/maternidade-real-mae-pode-querer-ser.html

Bjos e bençãos.
Mirys

Anônimo disse...

Não é necessário perder alguém para ser sensível a dor dos outros... Isso é ser empático, não, viuvo.

Anônimo disse...

Não é necessário perder alguém para ser sensível a dor dos outros... Isso é ser empático, não, viuvo.

Anônimo disse...

Aqui também, Cele???

Alessandra disse...

Como vi em algum lugar, essa tragédia deixou 12 mortos e 190 milhões de feridos.
Beijos querida. Parabéns por se mostrar.