segunda-feira, 18 de abril de 2011

O que tem que ser, tem muita força

Nem sei se acredito em destino, nem sei se minha banda toca nessa vibe de o-que-tem-que-ser-será; mas eu acho mesmo que as coisas acabam se encaminhando e a gente não pode se assustar com as dificuldades todas que a vida nos impõe. É preciso coragem para ser feliz, para abrir a porta de si e deixar a sorte entrar, para viver um grande amor e para arriscar. É preciso força para acreditar quando não houver esperanças, para persistir na luta quando se estiver exaurido fisicamente. É preciso querer mais, além do que se vê, além do que é obvio. É preciso saber reconhecer o que é de verdade, separar o que é raiz profunda do que é banal, superficial e, só naqueles, investir. Às vezes, a gente se confunde. Às vezes, a gente mete os pés pelas mãos. Às vezes, a vista fica embotada e o radar meio confuso, a gente vai operando por aparelhos, seguindo instintos (primitivos até) e sobrevive. E cambaleando e inseguro, descobre, lá na frente, que sim, tem muita coisa boa esperando pela gente, basta a porta se abrir. Porque o que tem que ser, meus amigos, persiste batendo na porta. O que tem força, não foge à luta. O que é verdadeiro, permanece estampado onde quer que a gente se esconda. Nisso eu acredito: o que tem quer ser, tem muita força.
 
"E tem gente maravilhosa que, de repente, vai ficando longe, difícil de ver – e aí dança. Mas também acho que aquilo que é bom, e de verdade, e forte, e importante – coisa ou pessoa – na sua vida, isso não se perde. E aí lembro de Guimarães Rosa, quando dizia que "o que tem de ser, tem muita força". A gente não tem é que se assustar com as distâncias e os afastamentos que pintam."  (Caio F. Abreu)

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Com um turuturuturuturuturuturutu

Há expectativa, ansiedade, revoada de borboletas na barriga... Já roí as unhas e as cutículas e o dedo inteiro, já senti dor de barriga (característica fundamental dos meus momentos de tensão). Quase não consigo dormir e acordei tomando um susto daqueles. Tudo pronto, embalado, arrumado, esperando só a hora certa de partir. E o tempo passa de ré nesses momentos, porque, para cada segundo que o ponteiro avança, na minha cabeça, ele volta dois. E assim, o tempo se arrasta sem sair do lugar. 8:05... 8:05... 8:05... E não vira, não anda, não passa. Vai logo, quinta-feira, para o momento de acalmar esse turuturuturuturutu do meu coração, de segurar firme a minha mão, de abraçar apertado... 8:09... 8:09... Passa rapidinho tempo rei, mas quando eu chegar lá, pode se demorar, pode descansar da corrida, pode até parar um instante para nós. Deixa a vida me presentear com essas surpresas, deixa eu curtir meu céu azul, deixa, vai! "Tempo, tempo, mano velho, brinque comigo, seja legal, conto contigo pela madrugada..."

terça-feira, 12 de abril de 2011

Capisce?

Cair em tentação? Acho mesmo muito errado! Na tentação não se cai, se mergulha. Até o fundo. Só assim fazemos a culpa valer a pena.

(Andrea Beheregaray)
 

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Não se pode ter paz evitando a vida

Às vezes, na estranha tentativa de nos defendermos da suposta visita da dor, soltamos os cães. Apagamos as luzes. Fechamos as cortinas. Trancamos as portas com chaves, cadeados e medos. Ficamos quietinhos, poucos movimentos, nesse lugar escuro e pouco arejado, pra vida não desconfiar que estamos em casa. A encrenca é que, ao nos protegermos tanto da possibilidade da dor, acabamos nos protegendo também da possibilidade de lindas alegrias. Impossível saber o que a vida pode nos trazer a qualquer instante, não há como adivinhar se fugirmos do contato com ela, se não abrirmos a porta. Não há como adivinhar e, se é isso que nos assusta tanto, é isso também que nos dá esperança.

É maravilhoso quando conseguimos soltar um pouco o nosso medo e passamos a desfrutar a preciosa oportunidade de viver com o coração aberto, capaz de sentir a textura de cada experiência, no tempo de cada uma. Sem estarmos enclausurados em nós mesmos, é certo que aumentamos as chances de sentir um monte de coisas, agradáveis ou não, mas o melhor de tudo, é que aumentamos as chances de sentir que estamos vivos. Podemos demorar bastante para perceber o óbvio: coração fechado já é dor, por natureza, e não garante nada, além de aperto e emoções mofadas. Como bem disse Virginia Woolf, "não se pode ter paz evitando a vida."
 
(Ana Jácomo)
 
E eu, impulsiva, urgente, me jogando, como sou, vou ali e escancaro as portas, abro as janelas, quebro os cadeados. Eu perdi o medo da dor e vivo com o coração aberto, tentando sentir intensamente cada experiência. Eu quero mesmo é me sentir viva!
 
Enfim, essa semana chegou.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Solidariedade

Quando a gente perde alguém de repente, a gente não consegue mais ser insensível à dor de ninguém. Foi assim que assistindo à TV de ontem para hoje, vendo as cenas chocantes do que se passou naquela escola, que eu comecei a sentir de novo a angústia de quem perde alguém para a morte de repente. É uma angústia de quem não teve tempo de se despedir, de se preparar. Angústia de quem, até pouco tempo antes, contava com aquela pessoa na vida por muito tempo. É um aperto no peito, uma sensação de impotência, um desespero.
 
Vi a cena de uma mãe que pulava e gritava ao receber a notícia da morte do filho e entendo. Entendo porque eu sei que a sensação é de que a dor não cabe dentro, de que o corpo vai explodir e se tornar milhares de pedaços espalhados pelo chão. A sensação é insuportável, o vazio, o buraco são muito maiores do que se é capaz de conceber. O que grita por dentro é ensurdecedor e o grito da mãe, o choro convulsivo, a sensação de desfalecimento, acreditem, é mínima perto do que realmente se sente.
 
Eu assisto estarrecida ao noticiário nacional e passo mal, choro também, choro pelas vidas partidas, pelas famílias destruídas, pela dor dos outros que é minha também. Eu revejo as cenas e me revolto com essa fragilidade, com a atrocidade e com a loucura do indivíduo. Eu olho para TV e, entre as lágrimas do meu pranto silencioso, eu me reconheço naqueles rostos curtidos pela dor. Eu não sei mais ficar indiferente e sofro.
 
Não dá, não deu para não falar disso. E, apesar desse blog ter por objeto os melhores momentos da minha vida, hoje o dia amanheceu cinza dentro de mim.

 

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Conselhos Clariceanos

Eu sou péssima pra elaborar estratégias. Péssima para utilizar máscaras. É fato que o que transparece, via de regra, é uma mínima parte do que existe. Mas eu não sei mentir. Sou sempre traída pela intensidade que me move, pelo olhar que revela e até por atitudes que eu tomo de maneira insensata, na base do impulso.

Descobri que detesto ficar naquele joguinho de gato e rato em que a gente não diz o que quer dizer, não demonstra o que sente, está a fim de ligar e não liga porque pode ser que o outro pense isso ou aquilo, assim ou assado. Acho que cansei desses recursos juvenis de conquista e prefiro sempre a verdade, o inequívoco e dou (muito) a cara pra bater.

Deve ser também porque desisti de perder meu tempo com pormenores e, em se tratando de relacionamento, eu acredito mesmo que não há meio termo. A gente sabe desde o príncípio o que quer e sabe também da reciprocidade. Por mais que, em algum momento, as coisas estejam confusas, embaralhadas, há sempre um pressentimento que revela o que parece obscuro.

Há quem persista, há quem fique dando murro em ponta de faca, batendo cabeça na parede e insistindo, insistindo, insistindo. Eu não. Eu só vou se o caminho for de mão dupla. Eu só prossigo se me sentir segura e querida. Eu só continuo se, e somente se, houver reciprocidade. Se eu começo a duvidar, eu recuo. Se algo me angustia, eu recuo. Se há concorrênia, eu recuo. Se eu não vejo sinceridade, reciprocidade, exclusividade, respeito, carinho, eu caio fora. Fácil.

Não se trata de ser leviana, displicente com as possibilidades, fria ou qualquer coisa que o valha. É que eu não quero mais viver presa a nada que possa dar errado. E concordo com Clarice, quando diz que de nada adianta esforços inúteis porque o amor nasce espontaneamente e, se tudo foi feito para conquistar o amor, e ele não veio, o que resta é não fazer mais nada.

"Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue;outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho... o de mais nada fazer." (Clarice Lispector)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Assim

Há essa ansiedade palpitando na minha alma, essa vontade urgente que faz com que cada poro da pele deseje o toque quente e preciso. Há um bater sem ritmo do coração e a sensação de que as pernas não respondem direito aos comandos cerebrais quando a voz sussurra em detalhes todas as intenções. Há um desejo contido à força, como uma represa pronta para jorrar e para ocupar cada milímetro do espaço entre os dois. Há essa força queimando por dentro, fazendo com que o corpo inteiro vibre numa sintonia nova e completamente desconhecida. Há esse filme em flashback e há essa gravação de áudio que, vez em quando, acelera e desacelara descoordenadamente a respiração e causam essas vertigens, tonturas, molezas inexplicáveis. Há uma confusão na mente e não há o mínimo interesse em frear anseio, desejo, vontade, querer algum. Há uma certa taquicardia e algumas centenas de milhares de borboletas fazendo revoada bem no centro do estômago. Há um pressentimento bom de que o melhor está por vir. E diante desse cataclisma de sentimentos, diante do sexto sentido que impele, diante da delícia que é sentir, não há razão, conselho, pé no chão, plausibilidade que impere.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Eu sei

"Sabe rir mole de bobeira? Sabe dançar idiota de alegria? Sabe dormir gemendo de saudade? Sabe tomar banho sorrindo para a sua pele? Sabe cantar bem alto para o mundo entender? Sabe se achar bonita mesmo de pijama e olheiras? Sabe ter ânsia de vômito segundos antes de vê-lo e ter fome de mundo segundos depois de abraçá-lo? Sabe não agüentar? Sabe sobrevoar o frio, o cinza, os medos, os erros e tudo que pode dar errado? Ele consegue fazer com que eu me perdoe por apenas viver sem questionar tanto." (Tati Bernardi)


segunda-feira, 4 de abril de 2011

Sobre o que a gente só sabe sentir.

É como o primeiro dia de férias, quando a gente acorda sobressaltada achando que perdeu a hora e relaxa entendendo que não, que nem precisa levantar. É como se, a cada encontro furtivo, ficasse a sensação de que se tem todo tempo do mundo, mesmo sem ter. É como se o tempo parasse no instante em que o olho de um alcançasse o outro. É como um fim de semana inteiro de "dolce far niente", esparramado na cama, com uma preguiça gostosa de sentir. É uma paz no coração, é uma leveza na alma, é um gostinho doce e bom que demora a sair da boca. É a sensação de pertencer, de estar em casa, de poder dividir qualquer coisa: a que dói mais, a que envergonha mais e a que arranca gargalhadas também. É vontade de mais, muito mais. É ansiedade pelo encontro, pelo abraço apertado, pelo beijo demorado, pelo ombro, pela mão. É um querer para ontem. Não, para antes de ontem. Assim mesmo: urgente, intenso, viciante, como só as melhores coisas são capazes de ser. É sentir carinho na voz, é sentir muito perto, é construir intimidade, ainda que alguns milhares de quilômetros distancie. É investir pesado na imaginação, é verborragia, é viver sem fronteiras e, mesmo assim, sentir fisicamente o peso da falta. É se sentir impotente muitas vezes e doer por não poder segurar a mão em silêncio. São palavras que piscam no monitor e no visor e fazem o coração sair do ritmo. É presença, é rotina, é companhia, é o melhor de cada dia. É saudade, amizade, contagem regressiva, dengo. É o tipo de coisa que é difícil definir, é difícil de explicar, mas que a gente sabe desde sempre sentir.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Antagônico

Eu simplesmente não me importo. Viveria tranquilamente sem sua presença na minha vida. Não fico pateticamente carregando o celular na mão para todos os lados, esperando seu nome aparecer no visor. Não acompanho as horas do dia passarem, imaginando a sua rotina. Não espero o celular vibrar anunciando o SMS que me mandou. Não adoro ouvir a música que escolhi para ser seu toque. Não foi intensa a forma como caímos de paraquedas um na vida do outro, assim como não fez (nem faz) a menor diferença no meu cotidiano a sua companhia. Não sinto sua falta. Não fecho os olhos e imagino como foi, como é, como será. Não há saudade alguma do que passou e do que virá. Não vejo nada de especial na forma como a gente interage e, sabe, nem há expectativa alguma nessa relação. É só mais um ponto de apoio para fazer o tempo passar mais rápido. É isso mesmo: um passatempo, uma distração. Não sei nada sobre você, não quero saber, não quero ser íntima nem estar à vontade ao seu lado. Não quero contato, não quer entrelaçamento, não quero segurar sua mão. Pouco importam seus problemas, seus desafios e seus leões de cada dia. É totalmente insignificante seu passado, sua história e sua vida. Entro e saio, vivo e danço, ando pelo mundo sem sequer lembrar que você existe. Não é meu primeiro pensamento do dia. Não é meu último suspiro antes de dormir. Não me faz querer ligar quando qualquer coisa acontece, no meio do dia, no meio da noite. Não me dá essa vontade impotente de estar mais perto, de estar ao lado, de abraço apertado. Não me dá essa ânsia de apenas estar no mesmo lugar que você. Não me tira do chão, não me faz sonhar, não me causa arrepios, espasmos, nem me faz perder o ar. Não é bom, não é surreal, não é nada demais, afinal. É só um tictac marcado, só palavras ao vento, só um burburinho no meu silêncio. Não é nada. Nem existe. Mas só é desse jeito porque hoje é primeiro de abril e eu sei mentir, como poucos, quando é para falar do que sinto.