Eu sempre soube, mesmo quando mais doí, mesmo quando as lágrimas caíam aos montes, mesmo quando os soluços e o peso eram constantes. Eu sempre soube, mesmo quando a vida estava de pernas para o ar, mesmo quando o carrinho estava estacionado no ponto mais alto do looping da montanha russa. Mesmo quando eu desacreditei e duvidei e me perdi das certezas que me moveram para frente, eu sempre soube. Soube de um jeito pressentido, intuitivo, surreal até, eu sempre soube que esse momento chegaria. Eu sempre soube que a vida entraria nos eixos e que, para além disso, no momento certo, seria doce novamente. Sempre pressenti que a felicidade tomaria assento na minha rotina e que eu encontraria de novo um caminho para seguir, um caminho meu. Eu só não sabia como esse momento aconteceria, quando ele chegaria e nem sabia que você estaria aqui.
Eu não tinha certeza sobre que posição, no quebra-cabeça de personagens, você ocuparia, mas sabia que você era algo que tinha vindo para ficar. E, assim, sem que pudéssemos evitar, a vida foi fazendo laços entre nós, amarrando nossas vidas, fazendo ponto cruz nas situações doloridas por que passamos, pintando colorido as alegrias que dividimos e tecendo um bordado bonito de (vi)ver. Não, certamente eu não sabia que haveria esse cruzamento de linhas, que haveria esse sentimento entre nós. E, muito embora eu não soubesse, houve tantos sinais: o carinho genuíno, a identificação, a admiração, a sensação de ser compreendido, as conversas que não tinham fim, o conforto, o afago, o amparo, abraços apertados, os olhos que brilhavam e a certeza de se estar à vontade na presença um do outro.
Foi tudo muito natural e, sem percebermos, fomos ganhando importância e abrindo espaços um para o outro no dia-a-dia, na rotina que compartilhamos, nas lutas que enfrentamos de mãos dadas, ainda que à distância. De repente, confidentes, a principal companhia dos dias, a melhor coisa da rotina, gargalhadas que atravessavam a metade do país e uniam em sorriso nossos corações. De repente, não mais que de repente. E, no meio de tantas conversas, um sentimento surgiu, confundindo tudo e deixando muito evidente sua força e seu poder. Não foi escolha, foi simplesmente o que não se pode evitar.
Foi difícil até entendermos que era preciso aceitar o que era bom e que estava sendo ofertado naquele momento. Foi um encontro inesperado, mas foi mágico deixar esse sentimento surgir e fazer raiz. A felicidade veio bater à nossa porta com essa oferta de amor correspondido e, então, passou a ser só uma questão de permitir. E permitimos. As vezes em que tentamos colocar um ponto final com ares de definitividade, a ausência doeu como crise de abstinência e tornou impossível prosseguir sem. Era mais forte que a razão, era doce surpresa do coração, era insuportável a ausência, era evidente demais, inegável demais e não havia como esconder os rastros do que nos tomou. O amor se fez inteiro em nós e adoçou a vida, amansou o coração, devolveu a luz.
Amar você faz cada dia mais leve e mais bonito, faz o coração bater num ritmo que é nosso, faz a vida muito mais feliz. Amar você faz eu querer me despir dos medos e das inseguranças, faz eu querer ser melhor, mais altruísta, mais madura, e ainda ser menina e manter um olhar puro para o mundo. Amar você faz eu ter um sorriso aberto e permanente no rosto, uma alegria em sentir tanto, uma euforia por reconhecer em você esse mesmo amor. Amar você me tira um pouquinho do chão, devolve lirismo aos meus dias - antes tão cinzas, me faz ver poesia no trivial, me faz o coração descompassado a cada trimtrim do telefone. Amar você pinta desse azul mais bonito cada céu sob o qual eu ando e faz eu achar que é muito bom estar aqui agora só porque você existe no meu mundo.