terça-feira, 15 de março de 2011

Será?

Normalmente, o amor vem carregado de pendências e acessórios não previstos, com um enredo muito diferente dos filmes e romances. E surgem os dilemas. Aceitá-lo ou não? Abrir ou fechar a porta? Ficar na janela ou ir brincar lá fora? O que fazer com estas pedras? A razão nos leva a percorrer esta tortuosa e dilacerante estrada de dúvidas, que na realidade não nos leva a lugar algum, porque o amor é uma via de uma mão só. Uma vez nela, não nos é mais possível dar a ré.
 
(From: Blog 3x30)

segunda-feira, 14 de março de 2011

Conta pra mim, vai!

Conta pra mim de onde a gente se conhece. De onde vem a sensação de que sempre esteve aqui, quando eu sei que não estava. Conta por que nada do que diz sobre você me parece novidade (...). Conta onde nasce essa familiaridade toda com os seus olhos. Onde nasce a facilidade para ouvir a música de cada um dos seus sorrisos. Onde nasce essa compreensão das coisas que revela quando cala. Conta de onde vem a intuição da sua existência em minha vida um segundo depois de termos nos encontrado.

Conta pra mim de onde a gente se conhece. De onde vem o sentimento de que a nossa história, absolutamente nova, é como um livro que releio aos poucos e, ao longo das páginas, apenas recordo trechos que esqueci. Conta de onde vem a sensação de que nos conhecemos muito mais do que imaginamos. De que ouvimos muito além do que dizemos. (...) Conta de onde vem essa vontade que parece tão antiga de que os pássaros cantem perto da sua janela quando cada manhã acorda. De onde vem essa prece que repito a cada noite, como se a fizesse desde sempre, para que todo dia seu possa dormir em paz.

Conta pra mim de onde a gente se conhece. De onde vem essa repentina admiração tão perene. De onde vem o sentimento de que nossas almas dialogam (...). Conta porque tudo o que é precioso no seu mundo me parece que sempre foi também no meu. De onde vem esse bem-querer assim tão fácil, assim tão fluido, assim tão puro. Conta de onde vem essa certeza de que, de alguma maneira, a minha vida e a sua seguirão próximas.

Conta pra mim por que, por mais que a gente viva, essas coisas nos surpreendem tanto toda vez que vêm à tona.
 
(Ana Jácomo - Com adaptações)

domingo, 13 de março de 2011

Tudo certo


E quando não se consegue mais expressar o que vem de dentro, e quando a gente não consegue mais encontrar as palavras mais adequadas, e quando não se consegue deixar evidente, e quando nem se conseguiu organizar os sentimentos que vieram em turbilhão, e quando não se sabe se está se fazendo entender nas inúmeras e intermináveis conversas, e quando tudo que se quer é que seja percebido pelo interlocutor a importância do momento, e quando não dá mais pra manter dentro, e em muitas outras ocasiões, as músicas falam pela gente.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Muito mais

Ainda sinto a revoada de borboletas que senti antes de encontrar. Ainda estou rindo do garçom que perguntou se a pizza era com queijo "brito". Ainda sinto a brisa do mar da Praia de Iracema. Ainda vejo as lágrimas caindo. Ainda sinto o abraço apertado. Ainda sinto o gosto do carangueijo e nem me arrependo de ter entregado a patona mais carnuda. Ainda sinto o sol nas minhas costas, torrando a minha pele. Ainda sinto vontade de rir e de pular na piscina. Ainda sinto o gosto da tapioca de carangueijo e da pizza de lombinho com mango chutney. Ainda sinto o burburinho dos meus amigos e relembro os comentários deles. Ainda sinto o tumtumtum do coração. Ainda sinto o abraço apertado. Ainda desfaleço e embaralho os sentidos. Ainda lembro do susto ao perceber o nascer do sol. Ainda escuto a voz doce da Roberta Sá entoando melodias conhecidas. Ainda sinto ímpetos de mais perto. Ainda sinto os pingos da chuva e a roupa molhada. Ainda sinto o abraço apertado. Ainda escuto a voz em meus ouvidos. Ainda tenho imagens mnemônicas. Ainda sinto vertigens. Ainda desfaleço e embaralho os sentidos. Ainda lembro do susto ao perceber o nascer do sol. Ainda sinto o cheiro. Ainda repasso como um filme os momentos no parque. Ainda vibro com o entrosamento. Ainda sinto a paz, o aconchego, a doçura e a sensação de pertencimento no cinema. Ainda sinto a vergonha por ter dinheiro e não ter como pagar. Ainda relaxo com a massagem. Ainda adormeço com a lembrança do ombro. Ainda sinto o abraço apertado. Ainda desfaleço e embaralho os sentidos. Ainda lembro do susto ao perceber o nascer do sol. Ainda escapolem sorrisos por conta dessas lembranças. Ainda espero o telefone tocar. Ainda está aqui o gosto do doce de leite/chocolate e açaí/tapioca. Ainda me perturbam as despedidas. Ainda me apertam o peito e deixam gostinho bom de queria muito mais. Ainda sinto o abraço apertado. Ainda tudo isso em mim.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Previsão

É engraçado e meio desconcertante quando os seus pressentimentos acontecem. Você fica com vários pontos de interrogação pululando ao redor de si, querendo entender como poderia ter antevisto aquilo tudo, tentando descobrir de onde surgiram essas convicções estapafúrdias, improváveis e - veja só, que se confirmam. Não é uma memória remanescente vinda não sei de onde, é uma antecipação de um momento futuro que depois efetivamente acontece. É como um déja-vu ao contrário, em que se tinha a certeza de que as coisas correriam de certo modo e elas ocorrem.
 
Fico aqui com uma avalanche de sentimentos desconexos e incongruentes. Uma ansiedade que não consigo aplacar. Uma vontade de rodar em sentido horário os ponteiros do relógio para antecipar o final da história e ver se, como estes, os outros pressentimentos se confirmam. Ao mesmo tempo, uma vontade de girar no sentido anti-horário, só para reviver aquelas horas, voltando àqueles momentos que se anteciparam muitos meses na sua mente. Por outro lado, há uma serenidade surpreendente, a calmaria e a paz de navio atracando no porto de origem, a sensação de voltar pra casa e, como se não fosse bastante, ainda essas vertigens e revoadas que não me deixam esquecer do que foi bom.
 
E aí, no reboliço das coisas recentes que a gente sabe que ficarão marcadas para sempre, vivendo ainda a rebordosa de tantos acontecimentos delicados, digerindo ainda os fatos mais simples e mais importantes; eu sigo aqui tentando (em vão?) postergar essa sensação de felicidade, que se depreende de coisas tão pequenas e íntimas e simples e que, por isso mesmo, é a mais real e verdadeira que tive nos últimos tempos.
 
 
 
 

sexta-feira, 4 de março de 2011

Será? Será?

Eu tenho que confessar que gostar de você é fácil. Gostar de você é leve, é descomplicado, é bonito de sentir. Gostar de você me faz esquecer que estou aqui e você longe, me faz esquecer que eu tenho correntes nos calcanhares, me faz esquecer do medo e derruba os muros de defesa que construí ao meu redor. Gostar de você é simples, espontâneo, instantâneo. Gostar de você não tem palavras, jargões, padrões, esquemas, estratégias. É o que é. É esse bem querer gratuito, altruísta, de quem se importa, de quem quer mais, de quem não quer nem saber como seria sem. Gostar de você é assim calmo, assim tranquilo, assim inevitável. Era a única coisa que eu poderia fazer depois de ter sido cercada no meu próprio castelo, depois de ter lutado contra a insistência e de ter perdido a batalha de auto-proteção. Era o que me restava fazer depois de ser surpreendida com o conhecimento da causa que abraçou. Gostar de você é permitir que alguém desbrave os recônditos intocados de mim. É me deixar levar ao sabor da brisa e do balanço do mar. Gostar de você é gostar até quando você não está, porque é sabê-lo logo, em breve. Gostar de você é delirar um pouquinho, tirar os pés do chão um pouquinho, afrouxar um pouquinho as rédeas da vida e seguir assim, leve, plena, doce. Gostar de você é permissão, é tomar susto com a convicção e perceber que não há espaço para nãos. Gostar de você é recuperar gosto pela vida e deixar que nos empurre para o abismo infinito de nós dois.

quarta-feira, 2 de março de 2011

E se for mais forte do que eu?

Eu preciso de convicção. Eu preciso ter certeza de que quer muito. Porque eu vou fazer testes de resistência e de personalidade. Eu vou me fingir de louca. Eu vou ser fria. Eu vou fazer o papel de forte e independente e de mulher madura e crescida, mesmo que meu peito anseie desesperadamente por um ombro pra me aconchegar e uma perna para jogar minha perna por sobre. Eu vou falar que não, enquanto meu corpo todo vai vibrar o sim. Eu vou fugir inúmeras vezes. Eu vou dar foras. Eu vou dizer que é indiferente. Eu vou achar que a esmola é demais. Eu não vou acreditar. Eu não vou me convencer. Eu vou sempre pensar nos poréns, nos talvez e em cada um dos apesares. Eu vou resistir. Eu não vou me jogar. Eu vou tentar a todo custo, de todas as formas escapar, me proteger, não me envolver. Por isso tudo, é preciso persistência, paciência, força de vontade. Não, não é impossível. Mas é que eu tenho medo, sabe? E aí, é precio convicção e firmeza. É preciso foco e persistência.
 
Mas e se for mais forte do que eu?

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Construção

Piso em ovos. Faço cálculos mentais. Penso muitas vezes antes de dizer qualquer coisa. Peso cada atitude. Reflito sobre cada movimento. Tento em vão e me esforço para reter aquilo que só fica se quiser ficar. Não vou mais deixar meu comportamento impulsivo me guiar. É preciso prudência, cadência, cuidado. É preciso muita calma em todas as horas. Sigo pé ante pé, pisco os olhos e mastigo devagar, falo manso e o mais claramente possível. Não quero mais confusão. Não quero mais embaralhar as cartas desse jogo. Não quero mais misturar o que é imiscível. Espero os sinais para reagir. Espero a procura para descobrir. Fico quieta, no meu lugar, no meu mundinho, no meu cantinho. Calo, muitas vezes, quando todo pensamento me pede pra falar. Seguro as pontas. Dou nó em pingo d'agua. Faço das tripas coração para reter em mim as explosões. Nada fácil. Muito necessário. Ainda assim, estou aqui. Ainda assim, aperta a minha mão. Ainda assim, basta um som, um toque musical diferente, um sinal de fumaça, um nome piscando no visor, para que a avalanche inunde tudo e destrua toda a construção.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Calma aí


Eu ouvi essa música já tem tempo. Alguns versos me fizeram lacrimejar, me deram aquele aperto no peito que não me deixa, mas vai e volta. Fiquei com estes versos na cabeça, mas achei que ela fosse da Marisa Monte e não consegui encontrá-la. Hoje, eu achei. Apesar de triste, apesar de falar de um amor que não conseguiu ser eterno, é uma música que fala de esperança. Achei linda e acho sinceramente que vem muito a calhar a última estrofe: "Talvez nós dois sejamos um é fato que se consolidará num novo amor o nosso amor, amor"

"Calma aí
Pera aí
Não espere tanto desse amor

Outra vez
Sem sentir
Corro para os braços que me largam

Na tristeza de sentir
Tanta solidão acompanhada por aí
De tanto amor pra dar
Não vou mais chorar
Não quero dizer mais nada de mal

Olha aqui
Meu amor
Não se esqueça nunca que eu tentei

Sem rancor
Sem mentir
Sempre fiz aquilo tudo que te prometi

Meu amor
Foi tanto amor
Que eu quis que fosse eterno até morrer
Mas sei que foi enquanto em mim durou

Talvez nós dois
Sejamos um
É fato que se consolidará
Num novo amor
O nosso amor, amor"


(Calma aí - Monique Kessous)