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sábado, 22 de janeiro de 2011

Começando...

Quem me conhece de verdade, para além de um relacionamento virtual, sempre me diz que, para quem me conhece apenas porque lê o Não quero merecer outro lugar, deve parecer que eu sou uma pessoa deprimida, derrubada pela rasteira da vida, carcomida pela dor, um fiapo, um farrapo, olhos lacrimejando a todo momento... Definitivamente, essa não sou eu.

Sempre afirmo, quando me deparo com esses comentários, de que o que está lá no blog é o que sai de mim nos meus momentos mais doídos. É uma expulsão. É incontrolável mesmo, extravaza de mim pelos dedos que batem no teclado. Não tenho controle. Muitas vezes, é só dor e lágrimas que vertem na tela branca.

Pois bem. Passado um ano do janeiro trágico, a dor ainda está aqui, como bem puderam ver todos aqueles que me acompanham no Não quero merecer outro lugar. Só que este blog foi criado para falar da mudança na minha vida, da minha vida com o Thi, como mãe, como casada. Mudança em relação ao Aberta ao mundo, que contava minhas mazelas, aventuras e paixonites de solteira. O Não quero merecer outro lugar foi feito para eu escorraçar minhas alegrias e problemas cotidianos, que toda mulher, mãe, dona de casa e que trabalha fora bem sabe. O blog era o retrato da minha vida feliz que se dissipou numa curva do caminho.

E diante da puxada de tapete, ele também tem sido terapeuticamente minha companhia no fechamento desse processo, dessa vida de esposa do Thiago que eu não terei mais. Nunca mais. Escrevi muitas vezes, só para esvaziar o que não cabia mais dentro, como falei inúmeras vezes. Escrevi para dividir, ainda que virtualmente, essa dor que parecia que ia me partir.

Surge em mim agora uma vontade de escrever sobre outras coisas que não apenas dor e saudade e tristeza e superação e lágrimas. Exsurge um anseio de olhar para o céu azul e ansiedade por esperar as borboletas. A ideia é manter os dois em paralelo, melhores momentos aqui e as recaídas por lá. Mas o que eu quero agora é o céu azul após a tempestade.