segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Para quem lhe deveria resgatar: um grande amor

Era uma vez um grande amor. Desses que parecem coisa escrita pela mão de Deus; desses que devolvem sentido, razão e cor para vida; desses que a gente sente no fundo da alma que é coisa feita para sempre. Era uma vez um grande amor, desses que fazem crer em final feliz e que todas as comédias românticas do mundo são histórias verdadeiras, que fazem acreditar em destino e em predestinação. Era uma vez um grande amor que não tinha pressa, que sabia esperar em silêncio, no fundo do armário, que aguardava o momento de extravazar sua plenitude romântica porque era todo ele feito de certeza. Era uma vez um grande amor, que sobreviveu a inúmeras intempéries, dias de tempestade e de seca, dias extremos, e mostrou de maneira inequívoca toda sua força.

Era uma vez um grande amor que, no momento de se concretizar, se doou inteiro, profundo, sem rede de proteção, sem saídas de emergência, sem plano B. Ele era em si mesmo a razão e a finalidade, o passado e o futuro, a pergunta e a resposta. Era uma vez um grande amor, que não queria mais o fundo do armário, que queria sentar no sofá da sala e comer pipoca abraçado, que queria misturar os meus, os seus e os nossos, que queria ser realidade pública e notória. Era uma vez um grande amor que não queria mais ser segredo, que não queria mais subterfúgios. Era uma vez um grande amor que era todo feito de sonhos e de planos para serem concretizados a dois e a seis.

Era uma vez um grande amor que começou a ser consumido com a urgência de quem sabe da efemeridade e da fragilidade da vida, com a voracidade de quem não tem mais tempo a perder, com a profundidade de que era feito. Era uma vez um grande amor que tomou para si a responsabilidade de fazer sua história acontecer, que investiu cada segundo do tempo, cada dia de vida, cada pedaço de si a fim de transformar o roteiro de novela em história real. Era uma vez um grande amor que se agarrou ao que tinha para permanecer, que fez o que podia para não perecer, que esfolou as próprias mãos sem querer soltar as rédeas desse encontro. Mas as rédeas se quebraram...

Era uma vez um grande amor ferido, sangrando, esfolado, exausto, mas não acabado, não exaurido, não terminado. É uma vez um grande amor. Uma vez na vida e outra na morte, como diz o ditado popular. É uma vez um grande amor cansado de tanto lutar para ser, para caber, para existir. É uma vez um grande amor em silêncio, na posta restante, esperando ser reclamado por quem lhe deveria resgatar.

6 comentários:

Raquel Duarte disse...

Ai, ai, ai, Dona Marcele! Espero que esteja tudo bem, viu? Não gostei muito do último parágrafo... :(

Beijos!!!

O Burro que chora disse...

O amor se transforma...
Sabe a hora de acontecer...
Amar e amar...
Seria o bastante...
Mas sempre queremos mais...
Retribuição, equilíbrio e a perfeição dos nossos sonhos...
Será que um dia seremos capazes de apenas e simplesmente de amar???

Isabelle Gois disse...

Apesar da pitada de tristeza, como achei lindo o jogo com as palavras como quando diz que não é o amor do fundo do armário mas sim aquele pra ficar na sala, abraçado, comendo pipoca. :)) Vibes positivas para esse amor!! Beijoss

Unknown disse...

O texto não deixa de ser lindo, embora pareça um pouco triste e saudoso.
Gostei muito.

Unknown disse...

Embora triste e saudoso o texto não deixa de ser lindo.
Gostei muito mesmo que tenha me deixado com o coração apertado.

Isabelle Gois disse...

Adoro os seus textos, descrevem detalhes, Marcele! Lindo!! O que for pra ser, será!! Beijos, Isabelle